O valor da indenização para os índios da Reserva Apucaraninha, que deverá ser paga pela Companhia Paranense de Energia (Copel), será apresentado amanhã em reunião entre representantes da empresa, comunidade indígena, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Procuradoria da República, na reserva, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A definição da quantia foi feita por um relatório de valoração econômica, elaborado pelo economista Jorge Madeira Nogueira.
A indenização é referente aos impactos sofridos pela comunidade indígena devido à construção e operação da Usina Hidrelétrica Apucaraninha, de propriedade da Copel e localizada dentro da reserva Ali moram 1.282 índios caigangues, de acordo com censo elaborado no ano passado. O relatório de valoração é resultado da atuação do grupo de trabalho constituído pela Funai, no âmbito do Inquérito Civil Público nº 02/01, instaurado em 23 de novembro de 2001, pela Procuradoria da República em Londrina.
O relatório foi elaborado a partir de estudos desenvolvidos por profissionais das áreas de Biologia, Antropologia e Psicultura, entre outros. E leva em conta a exploração do potencial energético da área ocupada pelos índios e os danos ambientais acarretados desde a instalação da usina, em 1948.
A partir da apresentação, a Copel terá prazo para analisar a documentação e definir entre o processo de negociação para busca de consenso ou encaminhamento à via judicial. Segundo o procurador da República João Akira Omoto, o encontro servirá também para definir o prazo que a empresa vai requerer para dar a resposta.
Em dezembro do ano passado, um termo de ajuste de conduta, assinado pela Comunidade Indígena Apucaraninha, Funai, Ministério Público Federal e Copel, definiu revisão do valor anual recebido pela tribo relativo a título de compensação financeira. A quantia foi definida de acordo com a produção da empresa elétrica. O valor recebido pelos índios sofre desconto equivalente ao consumo de energia da comunidade.
As compensações financeiras são uma reivindicação antiga da comunidade indígena. A luta teve início após a instalação da usina no local. A disputa foi fortalecida em 2001, quando o Ministério Público Federal passou a atuar na mediação do conflito de interesses entre os índios e a Copel. Através da assessoria de imprensa, a Copel informou que deverá encaminhar o relatório para análise da área técnica da empresa.

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