Caingangues comercializam ervas em Londrina
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Cultivar ervas medicinais é um hábito que transcende gerações nas tribos indígenas brasileiras. É nelas que os índios acreditam estar a cura para grande maioria das doenças. O caingangue Ido Galvão herdou da mãe o gosto pelas ervas. De seus 53 anos de vida, pouco mais de 40 são dedicados ao trabalho.
Autorizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), o índio natural da Aldeia Bananeira do posto indígena Guarita, em Miraguaí (próxima de Passo Fundo-RS) percorre o Brasil divulgando os costumes indígenas, em especial o cultivo das ervas. Ao lado da esposa Alziria, de 37 anos, e do sobrinho Cláudio, já passou por vários Estados brasileiros e países vizinhos comercializando 90 tipos de ervas, que segundo ele são plantadas, cultivadas e trituradas na própria aldeia onde mora. Até a próxima sexta-feira, ele estará em Londrina. É a segunda vez que passa pela cidade a primeira foi em 2005.
De maneira bem informal, Galvão e o sobrinho têm na ponta da língua a indicação para cada uma das ervas. A mais procurada, segundo eles, é a raiz de batata-de-negro, indicada para impotência sexual, que ficou mais conhecida como viagra natural. "Isso aí foram os jornalistas que colocaram", antecipou-se o índio.
Também fazem sucesso a cipó macaco, para diabetes, e carvarin (ou cavalinha) que ajuda a emagrecer, "queimando a gordura amarela do fígado", explica ele. Segundo Galvão, as ervas tratam de resfriado a problemas como queda de cabelo, artrose, acne, enxaqueca, sinusite e hipertensão arterial. "Cada uma tem sua indicação. É importante também para prevenção", reforçou.
A receita é a mesma para praticamente todas as plantas. Misturar duas colheres em um litro de água quente e tomar dois ou três copos ao dia depois que esfriar. "Quem toma a primeira vez sempre volta", garantiu o índio, assegurando a eficácia das ervas. "O índio sempre viveu da natureza, temos certeza que cura", continuou.
De acordo com ele, não há contraindicações e nem restrição de idade para o tratamento. Quem se interessar pode procurá-los até a próxima sexta-feira em frente ao antigo Centro Cultural Kaingáng, na Rua Pedro Antônio da Silva, às margens da Avenida Dez de Dezembro (zona sul).


