Caingangue é espancado em Ortigueira
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Ortigueira - Um agricultor caingangue foi cruelmente espancado por três homens no início da noite de domingo, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana). Sebastião de Jesus Lucas, 36 anos, que mora com mulher e filhos no Posto Indígena de Queimados, recebeu vários socos e foi agredido no rosto com pedras que pesariam mais de um quilo. De acordo com informações de funcionários do pronto-socorro do Hospital da Providência, em Apucarana, onde foi internado, o estado de saúde dele era regular até ontem à tarde.
Segundo a polícia, dois dos três acusados confessaram ter batido no caingangue. Eles foram presos em flagrante horas depois do fato, aparentemente bêbados. ''Os três estavam dormindo em casa, e devido ao estado de embriaguez, tivemos dificuldade para tirá-los da cama'', relatou o escrivão de polícia Airton Antonio de Assis. Os agressores, segundo o policial, seriam descendentes da tribo e não teria gostado de uma provável brincadeira vinda de Lucas. ''A vítima teria comentado em uma conversa que os três não era puros, mas mestiços, e isso teria provocado as agressões'', especulou o escrivão.
Já era noite quando Sebastião de Jesus voltava sozinho pra casa, andando por uma estrada de terra que liga sua tribo à rodovia BR-376. De acordo com o escrivão, vítima e agressores passaram a tarde conversando na beira da estrada. ''O desentendimento teria partido daí. Quando voltava pra casa, os três se aproximaram e começaram a espancá-lo. Até recolhemos as pedras, que, por baixo, pesam mais de um quilo'', contou. A polícia encontrou na roupa dos acusados manchadas de sangue.
Valderi Pereira, 23, e Osney Cícero Dias, 19, admitiram em depoimento que participaram do espancamento ao caingangue. Já o irmão do primeiro, Valderi Pires, 32, nega envolvimento no caso. Todos foram indiciados por tentativa de homicídio e estão presos na delegacia de Ortigueira. O agricultor foi encontrado inconsciente, caído no chão, e levado por uma ambulância da concessionárioa até o hospital. Ele não corre risco de morte, de acordo com o hospital, mas terá que passar por cirurgias de reconstituição facial.


