Caic vai receber atenção especial em 2015
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina A Secretaria Municipal de Educação promete realizar projetos e parcerias em 2015 para melhorar o ambiente e dar mais tranquilidade para alunos, professores e pais da Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina).
No início do mês, um aluno de 11 anos foi estuprado por dois meninos de 12 anos no interior do antigo Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic). A situação foi registrada durante um domingo, quando as crianças haviam entrado no colégio para jogar bola na quadra de esportes. O abuso aconteceu dentro de um dos banheiros da unidade.
Após o acontecimento, duas reuniões foram feitas com representantes da pasta e professores. O último encontro aconteceu na segunda-feira e propostas foram apresentadas para serem aplicadas no próximo ano.
"Vamos capacitar ainda mais os professores para lidar com situações que envolvem violência e sexualidade. O professor precisa estar preparado para determinadas ocasiões. Para os alunos a ideia é mostrar os direitos e deveres de cada um, desenvolver um sentimento de pertencimento àquele ambiente escolar. Queremos criar um conselho de alunos para que eles possam discutir os problemas", informou Mariângela de Souza Bianchini, diretora pedagógica da Secretaria de Educação.
A pasta promete também melhorias físicas em alguns setores do prédio, de acordo com pedido da comunidade. As partes danificadas do muro e do alambrado, nos fundos do colégio, que facilitavam a entrada dos meninos nos fins de semana, já foram arrumadas.
A diretora da escola, Joceli Kátia Pelisser, garante que o clima voltou a ser tranquilo no colégio. "Muitos pais nos procuraram para saber o que tinha acontecido, mas prestamos todos os esclarecimentos e a comunidade ficou mais calma", destacou.
Joceli relatou que o aluno vítima do abuso ainda não voltou a estudar e que tem recebido acompanhamento psicológico e de assistência social. Já em relação aos agressores, um não estudava na escola e o outro se mudou de Londrina, juntamente com a família, por ter recebido ameaças.
"Com o reparo do muro não temos mais registrado a presença de crianças no interior da escola nos fins de semana. De qualquer forma, mantemos um vigia 24 horas para monitorar as dependências", frisou a diretora.
O Ministério Público (MP) entrou com uma ação socioeducativa contra os dois menores para apurar todos os detalhes a respeito do abuso. "Vamos solicitar todas as provas, imagens, exames do IML e da Criminalística para fazer a representação para a Justiça", frisou o promotor da 2ª Vara da Infância e Juventude, Marcelo Briso.
Os dois meninos de 12 anos podem responder por ato infracional equiparado ao crime de estupro de vulnerável. Eles podem cumprir medidas socioeducativas como prestação de serviço, liberdade assistida, semiliberdade e internação. O MP pode solicitar também medidas protetivas à vítima, como acompanhamento médico e tratamento psicológico e psiquiátrico.


