Marcos BorgesEscola vulnerávelCrianças no Caic: desde que a Guarda Municipal foi extinta, local virou alvo de ladrões e vândalosO último final de semana não foi nada bom para o Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic) do jardim União da Vitória (zona sul), construído pelo governo federal e mantido em funcionamento pela Prefeitura. Na noite de sexta-feira, uma briga entre jogadores de futebol de salão acabou em tiroteio e assustou cinco professores e 125 adultos que participam do programa de alfabetização. Eles tiveram que se jogar ao chão para se proteger, quando os brigões entraram atirando nas salas de aula.
Na madrugada de sábado para domingo, ladrões pularam o alambrado que cerca o Caic - uma construção com cerca de 4 mil metros quadrados - arrombaram portas e janelas e roubaram materiais didáticos, brinquedos da creche, uma bateria usada para iluminação de emergência, e peças da perua Kombi pertencente à escola. ‘‘Felizmente, por sorte não houve feridos. Mas a questão da segurança aqui está um caos, desde o início do mês passado, quando houve a desativação da Guarda Municipal e o número de vigilantes diminuiu bastante no Caic’’, comenta o diretor-geral da escola, Amauri Pereira Cardoso.
Ele diz que ainda não teve tempo para avaliar os prejuízos, mas mostra por todo o Caic as marcas das ações dos vândalos e marginais. O teto da quadra de esportes - feito com um zinco especial - está perfurado por tiros de revólver disparados na sexta-feira. A cancha estava alugada para funcionários do supermercado Cristal Sul, do mesmo bairro. Os aluguéis da quadra estão suspensos temporariamente, até que o problema de vigilância esteja resolvido. Para entrar na escola, os ladrões quebraram trincos de portas e vidraças de salas.
Na noite de sexta-feira não havia nenhum vigilante de plantão no Caic. Na madrugada de domingo, apenas um estava trabalhando no local. Ontem, durante todo o dia, nenhum vigilante apareceu para dar segurança à escola, que tem cerca de 160 funcionários e atende a 1.020 crianças, do bercário à 8ª série. Até o início de maio - antes da desativação do Guarda Municipal - o normal era que trabalhassem dois vigilantes durante o dia e três à noite.
‘‘Agora, durante o dia nunca temos vigilante. À noite, aparece apenas um, dificilmente dois. Nos finais de semana, isto aqui fica abandonado e à mercê da ação dos marginais. Nestes últimos 30 dias, tivemos vários problemas. Inclusive já houve a invasão de salas de aula por pessoas encapuzadas e armadas, aterrorizando os professores e estudantes’’, afirma Amauri Cardoso. Segundo ele, cerca de 80% das lâmpadas externas, nos pátios da escola, foram quebradas por vândalos com pedradas e tiros de revólver nas últimas semanas.
A bateria roubada do setor de oficinas de trabalho é especial, para uso durante as quedas da energia elétrica, e custa cerca de R$ 600,00. ‘‘A insegurança é tanta, que vários professores estão ameaçando pedir transferência e não podem não vir trabalhar aqui no próximo semestre’’, diz o diretor do Caic. ‘‘A situação é grave e estamos muito preocupados. Infelizmente, estamos convivendo com o desemprego e a criminalidade em nossa cidade. E a nossa população não tem tradição em cuidar bem do patrimônio público. A insegurança daqui só será resolvida com o aumento do número de vigilantes.’’

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