Caic da zona sul começa a funcionar em período integral
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Lucília Okamura 
Dorico da SilvaAtenção integralO diretor-geral do Caic, Amauri Cardoso: Cursos desenvolvem raciocínio e também ensinam ofícioA partir de segunda-feira, os alunos do Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente Dolly Jess Torresin - o Caic da zona sul -, começam a estudar em tempo integral. Eles farão o ensino regular em um período e no outro frequentarão oficinas diversas. As aulas tiveram início no dia 19 e até ontem os estudantes estavam frequentando apenas as aulas regulares.
Ao todo, são 1.091 alunos, divididos entre o berçário, creche, pré-escola, 5ª a 8ª série e alfabetização para adultos (supletivo). Com exceção deste último grupo, todos irão ficar no Caic das 8 horas às 17h30, tendo, além das aulas, alimentação, esporte e atendimento de saúde. As turmas de supletivo funcionam à noite.
São 21 oficinas, como leitura, inglês, imprensa, costura, bordado, horta e clube de ciência. O diretor-geral do Caic da zona sul, Amauri Pereira Cardoso, observa que cada oficina terá a duração de 90 minutos e será oferecida de segunda a sexta-feira. Ele explica que haverá um cronograma para que os estudantes passem por todos os cursos da oficina.
Além de ajudar o aluno a desenvolver o raciocínio e servir de reforço em determinadas disciplinas, os cursos têm o objetivo de ensinar um ofício. Não se trata de um curso profissionalizante, mas eles aprenderão algum ofício que pode servir para complementar a renda familiar, observa a supervisora geral do Centro, Sonia Maria Millet.
Apesar de o Caic funcionar em período integral, Amauri Cardoso ressalta que não é obrigatória a permanência do aluno na escola o dia todo. Segundo ele, alguns pais alegam não poder deixar os filhos no Caic porque estes trabalham ou realizam outros cursos. O diretor-geral acredita que cerca de 10% dos estudantes não frequentarão as oficinas.
O Caic difere de outras escolas, segundo Amauri Cardoso, por funcionar em período integral e por realizar avaliações constantes de todos os conteúdos ensinados. Ele diz ainda que a direção irá verificar a frequência do aluno nas aulas. Se ele faltar três dias, nós vamos até sua casa, ressalta. Na opinião de Sonia Millet, bem alimentados e bem tratados, os alunos não encontrarão motivo para não frequentar a escola. A evasão escolar será pouca, aposta.
Com relação à alfabetização de adultos, Amauri Cardoso esclarece que se trata de supletivo de 1ª à 4ª série do 1º grau. São quatro turmas de alunos com mais de 14 anos. Mesmo assim, o diretor-geral observa que o Caic ainda não consegue atender a demanda. A direção do Centro está estudando a possibilidade de iniciar turma de supletivo neste ano.
A área de abrangência do Centro inclui 10 bairros da região sul. Para fazer a seleção dos alunos, as lideranças dos bairros fizeram um cadastro, que totalizou cinco mil crianças. Amauri Cardoso observa que os alunos foram selecionados com base em uma lista de critérios: seria dada prioridade às crianças em situação de risco (que ficam nas ruas mendigando, por exemplo), as evadidas da escola, as que pertencem à família com renda per capita igual ou inferior a meio salário mínimo e as órfãs de pai ou mãe.
Mesmo utilizando estes critérios, ele diz que foi inevitável um princípio de tumulto por parte de pais que queriam obter vagas para seus filhos. Este é o segundo Caic que funciona em Londrina. O primeiro foi inaugurado em dezembro de 1993 e funciona no jardim Santiago (zona oeste).


