Dez salas de aula do Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic) José Joffily, no Jardim Santiago (Zona Oeste de Londrina), foram alagadas pela chuva que castigou a cidade na noite de anteontem. O alagamento impediu que 332 alunos de 5 a 8 séries da Escola Estadual Cássio Leite Machado, que funciona no mesmo prédio, assistissem às aulas na manhã de ontem. Pelo menos 10 funcionários foram mobilizados para retirar a água das salas, onde foi possível identificar vários pontos de infiltração e de danos às janelas, por
onde a água entrou.
O diretor da escola estadual, Renato Soares de Souza, precisou manter os alunos no pátio da escola, enquanto a limpeza era providenciada. Às 9 horas, duas zeladoras ainda trabalhavam com panos e rodos na secagem das salas. ''Uma delas tinha mais de 10 cm de água'', contou Sueli Moreira da Silva, uma das zeladoras.
Um dos funcionários do colégio, que preferiu não se identificar, disse que o problema se repete todas as vezes em que as chuvas caem com mais intensidade. ''O prédio está sem manutenção há cerca de três ou quatro anos. As salas estão cheias de infiltração e com janelas quebradas por pessoas da própria comunidade'', garantiu.
O presidente da Associação de Pais e Mestres da escola, Antônio Souza Pereira, foi procurado pela reportagem da Folha, mas não quis se pronunciar sobre o assunto. Ele afirmou somente que houve uma reunião com a secretaria municipal de Educação no ano passado para tratar das reformas no Caic, mas não explicitou o que foi definido. Pereira também disse que não poderia se pronunciar a pedido do diretor geral do Caic, Wilson de Paula. Ele também não quis conceder entrevista.
Segundo a secretária municipal de Educação, Carmen Sposti, a responsabilidade pela manutenção do prédio é do Estado e Município, embora a cidade tenha promovido a maior parte das reformas realizadas nos últimos tempos, devido à maior proximidade com a comunidade. A secretária também admitiu os problemas de infiltração no prédio. ''O Caic do Santiago, assim como o do Jardim União da Vitória (Zona Sul), tem arquitetura diferenciada, feita de blocos pré-moldados. Por isso são mais sujeitos a essas falhas'', reconheceu.
A secretária negou, no entanto, que o prédio esteja sem manutenção há três anos. ''As grandes reformas são bancadas pela secretaria. Já a manutenção periódica é feita pela direção, com recursos de R$ 3,30 mensais por aluno, repassados também pela secretaria. O prédio não está abandonado'', destacou.
Carmen também disse à reportagem que uma empresa de limpeza de calhas foi acionada ainda pela manhã para desentupir os canos do telhado da escola. Reformas profundas não estão previstas para este ano, devido à proximidade com o fim do ano letivo. Segundo a secretária, toda a rede municipal de ensino deve passar por reformas, com custos incluídos no orçamento no ano que vem.

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