Caic colhe os primeiros frutos do ensino da paz
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quinta-feira, 21 de setembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Pode parecer pouco para alguns, mas para o diretor geral do Caic Dolly Jess Torresin, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), Amauri Pereira Cardoso, é motivo de comemoração: há quatro meses não são registradas brigas entre alunos. Entre as crianças de 1 e 4 séries do Ensino Fundamental o período de paz é maior. ''As agressões foram pontuais e rapidamente resolvidas'', garante.
Ele acredita que a ''tolerância e cordialidade'' entre os estudantes são os primeiros frutos do trabalho de desenvolvimento de uma ''cultura de paz'', que está sendo feito na escola. ''Normalmente estas crianças são estimuladas o tempo todo à violência, precisávamos mudar este paradigma'', argumenta. Ele reconhece que o trabalho é grandioso e lento: ''Aqui dentro a gente encontrou resistência; imagine entre os alunos e pais''.
Mas nem por isso Cardoso e a equipe de professores desanimaram. ''Antes era impossível sair da escola com estas crianças. Elas não se comportavam, eram agressivas. Agora a gente consegue programar as saídas com frequência'', complementa.
Ele explica que para promover a implantação desta ''cultura de paz'', contou não só com o espaço da sala de aula. Programas na TV e rádio internos, trabalhos musicais, além de atividades nas oficinas de contra-turno foram fundamentais.
Para o coordenador da ONG Londrina Pazeando, entidade que há seis anos organiza a Semana Municipal da Paz de Londrina, Luis Cláudio Galhardi, a implantação da ''cultura da paz'' deve ser feita através de uma abordagem pedagógica transdisciplinar. ''Não adianta a paz estar em uma disciplina, tem que estar em todas. Nas aulas de inglês, por exemplo, por que não traduzir um discurso de Martin Luther King (Prêmio Nobel da Paz, de 1964)?'', sugere.
Ele destaca ainda que, para as cerca de 165 mil crianças das escolas públicas e particulares de Londrina, abordar a paz já está se tornando hábito. ''Todo ano elas sabem que assim como tem a Semana da Pátria, vai ter a da Paz, e isso é bastante interessante'', avalia.
O aluno da 3 série do CAIC, Bruno Willian Lemes, de nove anos, é exemplo do que afirma Galhardi. ''Paz é não brigar. É estudar bastante, cuidar dos outros e do meio ambiente'', enumera. Mas se na teoria parece perfeito, ele aponta como é na prática: ''Se eu vejo duas pessoas brigando no recreio, falo que não pode, que a gente não precisa brigar'', ensina o menino.
As colegas Daysee Stephany Medeiros, de oito anos, e Ingrid Cristine Coutinho Santos, de nove, também garantem que praticam a paz. ''Do que eu aprendi, o que eu mais gosto é do respeito aos mais velhos. Quando vejo alguém desrespeitando, peço para parar. Se não pára eu fico quieta, porque eu também não vou brigar, né?'', segreda a mais nova.
Já Ingrid lembra de uma história: ''Uma vez eu vi um menino mandando o pai dele calar a boca. Aí eu falei para ele que não deveria fazer aquilo e ele parou''. Ela acredita que quando uma criança ensina a outra, o aprendizado é mais rápido e legal, afinal: ''Os adultos só dão broncas''.


