Cai taxa de mortalidade infantil no PR
Maigue Gueths
De Curitiba
A mortalidade infantil no Brasil e no Paraná entre as famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança, teve uma pequena queda no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 1998. No Brasil foram 13,7 óbitos (pode incluir crianças nascidas mortas) para cada mil crianças menores de um ano acompanhadas pela entidade, contra 16,3 óbitos em 1998. No Paraná, a mortalidade ficou em 14,5%, um pouco acima do índice nacional, mas menor do que o registrado no segundo trimestre do ano passado, de 17,7%.
Se for tomada a mortalidade infantil para cada mil crianças nascidas vivas no mesmo período, essa taxa caiu, no Brasil, de 24,6 em 1998 para 19 óbitos em 1999. Os estados com maior índice de mortalidade são Pernambuco, Alagoas e Sergipe com cerca de 25 óbitos por mil menores de um ano. Os números da Pastoral referem-se apenas a 8,3% das crianças brasileiras até 6 anos de idade que são acompanhadas pela entidade. Os resultados obtidos tornam-se ainda mais relevantes se comparados com a média nacional de mortalidade infantil, que é estimada hoje em 36,4 por mil nascidos vivos.
No Paraná, entretanto, é preocupante o crescimento no número de mortes causadas por problemas perinatais, ou seja, por falta de acesso ou má qualidade no parto, em relação a 1998. Das 108 crianças menores de um ano que morreram em abril, maio e junho deste ano, 50,8% foram por afecções perinatais, contra 30,6% no segundo trimestre de 1998.
Para a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, os problemas perinatais tiveram impacto no total de mortes porque houve uma redução nas mortes causadas por infecções respiratórias e por infecções intestinais em relação ao ano passado. Mas também significa que o Paraná tem que dar mais atenção ao parto, diz.
Os dados da Pastoral são baseados em mais de 1,5 milhão de gestantes e crianças carentes acompanhadas pela entidade em 3.166 municípios em todos os estados brasileiros. A entidade tem 136 mil voluntários e líderes comunitários atuando em 30.094 comunidades carentes, que fazem acompanhamento de saúde, nutrição e desenvolvimento das 74.525 gestantes e 1.441.377 crianças. O Paraná é o estado onde a entidade tem maior atuação, acompanhando 202 mil crianças e 9.713 gestantes.
Esses números indicam que é possível reduzir a mortalidade infantil com a mobilização da comunidade local e com soluções dos problemas estruturais que envolvem especialmente um bom sistema de saúde, o acesso à alimentação, o saneamento básico e alfabetização dos pais, afirma Zilda Arns.





