André Amorim

Equipe da Folha

Pediatras comemoraram ontem, no Dia Mundial da Luta Contra a Aids, a redução no número de casos de contaminação vertical -quando a mãe passa a doença para o filho durante o nascimento ou amamentação. Segundo a infectologista Marina Kinoshita, do Hospital Pequeno Príncipe, um dos fatores que possibilitaram essa redução é a realização do diagnóstico durante a gestação. Quando isso ocorre, a mãe infectada pode iniciar o tratamento com antecedência e impedir que a doença passe para o filho.
De acordo com Kinoshita, a chance de contaminação do bebê quando a mãe sabe da própria doença é de 4%. Quando esse diagnóstico é desconhecido, esse número sobe para 26%. Segundo a médica, hoje o exame de HIV faz parte da rotina do acompanhamento pré-natal. No entanto, ela conta que ainda é comum encontrar obstetras descomprometidos com essa prática. "O preconceito de pacientes de HIV nas classes mais altas é muito grande. Às vezes, os médicos ficam constrangidos de pedir esse exame", avalia.
No Brasil, o número de casos de Aids notificados em crianças menores de 5 anos vem caindo. Em 2006, foram registrados 561 casos. Em 2007, esse número caiu para 434 e, até junho deste ano, haviam sido informados mais 68 casos em todo o País. No Paraná, houve 19 casos em 2006, e 24 em 2007. Um pequeno aumento, mas ainda menor do que os números computados em 2005 (32 casos), 2004 (37) e 2003 (56).
Quando o diagnóstico é feito precocemente, os pais têm condições de estar mais atentos às doenças oportunistas, que se aproveitam do sistema imunológico deficiente do doente. Segundo Kinoshita, diferente dos adultos, as crianças portadoras de HIV não apresentam doenças graves, e sim mais comuns, como pneumonia, porém, com mais freqüência.
Apesar desses cuidados, a médica reforça que o paciente tem condições de levar a vida normalmente, como qualquer outra pessoa. Esse é o caso de Miguel (nome fictício), 8 anos, que foi contaminado pela mãe durante o nascimento. Adotado por outra família enquanto era bebê, ele iniciou o tratamento em dezembro do ano passado, depois que começaram a aparecer algumas doenças oportunistas. Sua mãe adotiva conta que só lembra da condição do filho na hora de dar o remédio. Fora essa situação, é uma criança como outra qualquer, que gosta de andar de bicicleta, desenhar e estuda na 2ª série do ensino fundamental. "Ele é ‘arteiro’, apronta bastante", conta a mãe.
Miguel ainda não sabe da sua doença, tanto a mãe quanto a médica concordam que ainda é cedo para falar sobre esse assunto. Mas essa conversa não deve tardar. Na opinião de Kinoshita, o ideal é informar a criança antes da adolescência, quando as revoltas de juventude podem tornar essa revelação ainda mais traumática.
Missa e mobilização
A Arquidiocese de Curitiba, através da Pastoral da Aids, realizou ontem, na Catedral Basílica, uma missa em celebração do Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
Também foram feitas mobilizações de entidades de apoio a portadores de HIV no calçadão da Rua XV de Novembro, centro da cidade. Além da Secretaria de Estadou da Saúde, organizações não-governamentais participaram do evento, que foi realizado pela manhã.

mockup