Londrina - O número de mototáxis regulares em Londrina caiu 39% desde que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu regras mais rígidas para mototaxistas e motofretistas em fevereiro deste ano. Conforme dados repassados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), antes da publicação da resolução do Contran a cidade possuía 580 mototáxis regulares. Hoje esse número não passa de 350.
Vale lembrar que uma lei municipal de 2001 limita em mil o número de profissionais autorizados a atuar como mototaxistas. Já a profissão de motofretista ainda não foi regulamentada na cidade.
Com o intuito de aumentar a segurança de motociclistas e passageiros, o Contran passou a exigir que os profissionais passem por curso de capacitação de 30 horas. Também é obrigatório o uso de equipamentos de segurança como protetores de pernas, antena corta pipas, faixas refletivas na moto e no capacete, além de colete.
O descumprimento representa infração grave, que é punida com a perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 127,69.
Em fevereiro deste ano, Londrina contava com 998 mototaxistas cadastrados, em 60 centrais. Por outro lado, muitos outros irregulares trabalham nas ruas da cidade. Parte do grupo descontente com as novas exigências passou a atuar na clandestinidade. A CMTU não tem levantamento do número exato de clandestinos que atuam na cidade.
O que mais incomoda os mototaxistas são os valores cobrados para a regularização dos veículos. Para a proprietária de central de mototáxi Andréa Galhardo, o gasto para regularizar a moto chega a R$ 1,7 mil. Outra exigência que é alvo de críticas é o prazo para renovação da frota, que é de apenas cinco anos.
"Ele compra a moto em 48 prestações e quando termina de pagar já precisa comprar uma outra motocicleta. Ou seja, o mototaxista precisa ficar permanentemente com dívidas, mesmo que a motocicleta esteja em boas condições", reclamou.

Segurança
O mototaxista Veranildo dos Ramos, de 52 anos, é um dos condutores que está com a sua situação regulamentada junto à CMTU. Ele fez questão de mostrar a sua habilitação em que aparecem os seguintes dizeres: "Exerce atividade remunerada- habilitação mototaxista". A autorização foi obtida após passar pelo curso exigido na legislação. "Tenho 13 anos como mototaxista e para mim é uma sem-vergonhice o motoqueiro que não regulariza a sua situação", criticou Ramos, que trocou sua moto recentemente. "Esse aumento de rigor foi bom para a nossa segurança."
Já o mototaxista Fernando Francisco Guimarães circula com todos os equipamentos de segurança exigidos por lei: colete, faixas refletivas, protetor de perna, antena corta pipa, capacete. E ainda passou pelos cursos de mototaxista e motofretista. "O curso foi fácil. O mais difícil para mim foi conseguir disponibilidade de horário para eles", ressaltou.
Guimarães, no entanto, diz que está arrependido, uma vez que teve muitos gastos para se regularizar, já que na época havia a promessa de que a fiscalização seria rigorosa. "Já faz um ano que regularizei tudo e até agora não começou a fiscalização que prometeram e muitos clandestinos circulam pela cidade. Estou quase desistindo do serviço, porque a gente não consegue competir", queixou-se.
De acordo com a CMTU, não existem dados estatísticos específicos de multas envolvendo mototaxistas ou motofretistas Segundo dados do Corpo de Bombeiros, desde a publicação da Resolução do Contran até o dia 18 de outubro foram registrados 1.423 acidentes com motocicletas em Londrina. No mesmo período do ano passado, foram registrados 3.168 acidentes.
A diretoria de Trânsito da CMTU informou, por meio de nota, que vai buscar parceria da polícia de trânsito para promover ações de fiscalização voltadas para a atuação dos mototaxistas. Destacou ainda que vai retomar as conversações com as centrais de mototáxis e com o sindicato da categoria para buscar formas de incentivar os mototaxistas a se regularizarem.
"As limitações da CMTU são grandes, mas vamos nos esforçar para viabilizar estas ações dentro do menor prazo possível", afirma o diretor de Trânsito da Companhia, major Arnaldo Sebastião.

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