Cai número de menores que vivem nas ruas de Curitiba
Israel Reinstein
De Curitiba
Uma pesquisa da Prefeitura de Curitiba e da Polícia Militar registrou uma redução no número de meninos de rua na cidade. Nos últimos três anos, a população de jovens abandonados caiu de 1.150 para 831. Também de acordo com a prefeitura diminuiu o número de ocorrências policiais envolvendo menores. A mudança na forma de tratar essas crianças vem apresentando resultados, diz a diretora do Departamento de Integração Social de Crianças e Adolescentes, da Secretaria Municipal da Criança, Angela Mendonça.
Em comparação com o ano passado, a polícia registrou uma queda de 30% dos assaltos e delitos com a presença de menores. Nos seis primeiros meses de 1998, foi computada uma média de 14 registros diários, sendo que no mesmo período deste ano caíram para nove. De acordo com a Seção de Planejamento do Comando de Policiamento da Capital (CPC), em determinados bairros da cidade, como Juvevê, os registros chegam em alguns dias do mês a ser nulo.
Angela Mendoça entende que esses pontos positivos podem ser atribuídos a alteração na política de ressocialização dos menores. Anteriormente, esperávamos de maneira passiva que o menor escolhesse se iria mudar de vida ou não, comenta. Hoje, para combater os atrativos da rua, como as drogas e dinheiro fácil, os educadores estão oferecendo programas como prática de skate, patins, jogos e educação.
A diretora conta que esse trabalho vem sendo feito em conjunto com a Polícia Militar, que participa da integração dos jovens. São dois programas que envolvem a presença de policiais Formando Cidadão e Projeto Criança e Segurança.
Angela Mendoça diz que os policiais ajudam a afastar os adultos que fornecem drogas. Essa medida possibilita que os educadores entre nos mocós e possam convencer as crianças, que estavam sob efeito das drogas, diz. O resultado é que a população da crianças vem se mantendo estável há dois anos.
Outra tática para integrar as crianças é a relocação dos meninos que vem de outras cidades e estados, diz. Com convênios com os conselhos tutelares de cidades, como São Paulo (SP) e Joinville (SC), eles transferem para a cidade de origem. Essas medidas vão servir para reduzir o número de crianças nas ruas, mas para tirar todas vai ser preciso fazer um trabalho de longo prazo, afirma.





