Londrina – O número de adolescentes grávidas em Londrina tem caído em uma velocidade maior do que os índices verificados no País e no Paraná. Enquanto o número de adolescentes de Londrina esperando bebês sofreu redução de 33% entre 2000 e 2011, queda no País no mesmo período foi de 22,6% e no Estado, de 23%. Os número são do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).
De acordo com o estudo, entre os anos de 2000 e 2011 o número total de bebês nascidos vivos em Londrina variou de 8.180 para 7.022, queda de 14%. Em 2000 nasceram 1.552 crianças filhas de adolescentes e há dois anos esse número atingiu 1.036.
Somente na faixa etária de 10 a 14 anos, a queda em Londrina foi ainda maior, de 39%, com os nascimentos caindo de 59 para 36. E entre as meninas de 15 a 19 os nascimentos diminuíram de 1.493 para mil.
Para a coordenadora da Saúde da Mulher, ligada a Secretaria Municipal de Saúde, Lilian Nellessen, o maior acesso a informação e a métodos anticonceptivos têm colaborado com estes números. "O tempo de estudo tem aumentado e as informações sobre prevenção estão acessíveis a uma boa parte dessas jovens. Além da distribuição de anticoncepcionais nas unidades básicas de saúde e das farmácias populares, que oferecem os medicamentos por um preço mais acessível", ressalta a coordenadora.
A gravidez na adolescência atinge, na sua maioria, as jovens de famílias mais carentes e em situações de vulnerabilidade. Segundo Lilian Nellessen, a procura por uma mudança de vida e a questão cultural ainda impulsionam essas meninas para a maternidade precoce. "Em muitos casos a maternidade é uma tentativa de fugir da violência em casa ou da pobreza da família. Para essas adolescentes a gravidez é um ciclo normal da vida já que a mãe, a avó, também foram mães muito cedo. Para elas serem mães jovens é uma situação absolutamente normal", explica.
E a gravidez precoce traz consequências para a vida toda. Grazieli Aparecida Cândido, de 18 anos, moradora do Residencial Vista Bela, na zona norte de Londrina, está grávida de oito meses do primeiro filho. A adolescente parou de estudar na 5ª série do Ensino Médio e ficou grávida poucos meses depois de começar a namorar. "Eu conhecia e sabia dos métodos anticoncepcionais, mas não usava nada", confessa a menina, que não está mais junto com o namorado e mora com a mãe. "Ele era muito ciumento, mas tem vindo me visitar e disse que vai me ajudar e registrar a criança. Sozinha não tenho como cuidar", frisa.
O Vista Bela, de acordo com a Secretaria Municipal de Ação Social, abriga grande parte das adolescentes grávidas do município. A líder comunitária Sandra Maria de Souza, presidente da Associação de Mulheres É Hora de Viver, que dá assistência para as jovens grávidas do bairro, acredita que muitas meninas deixaram de se respeitar e de se valorizar. Porém, Sandra ressalta que o que mais leva as adolescentes para uma gravidez indesejada é a falta de projetos na região. "Aqui não há o que fazer. Nenhuma atividade esportiva, nem cultural, nem de geração de renda. Com a mente ocupada ninguém vai engravidar. Mas as meninas daqui não têm perspectiva nem objetivo de vida", resume.

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