Motoristas temem as multas que podem ser aplicadas por utilizar uma estrada considerada ilegal para a Justiça Federal
Fotos Ney de SouzaPEDÁGIOFuncionária da Aipopec cobra taxa de R$ 5,00 dos motoristas na entrada da Estrada do Colono

Emerson Dias
Enviado a Serranópolis do Iguaçu
Especial para Folha

As ameaças do Ministério Público Federal de notificar e multar os usuários da Estrada do Colono, que funciona ilegalmente há dois anos desde que foi reaberta por moradores e políticos da região oeste e sudoeste do Estado, fizeram o movimento dos carros que passam pela via cair cerca de 10%.
Dos 300 veículos que circulam em média todos os dias pela estrada, cerca de 30 estão evitando o trajeto alternativo (que reduz em até 120 quilômetros uma viagem entre cidades das ruas regiões), com medo de serem multados por utilizar uma via considerada ilegal pela Justiça. A Estrada atravessa o Parque Nacional do Iguaçu, totalizando 17 quilômetros entre os municípios de Serranópolis do Iguaçu e Capanema.
Mesmo sabendo da ilegalidade, a maioria dos motoristas avisa que vai continuar insistindo em utilizar o ‘‘atalho’’. Eles concordam em pagar os R$ 5,00 de pedágio, cobrados ilegalmente na entrada da via (veja depoimentos no quadro à esquerda).
Segundo o presidente da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), Carlos Carboni, a redução no fluxo de automóveis é pequena e demonstra que os motoristas continuam optando pelo caminho, mesmo ameaçados por multas que podem chegar a R$ 2 mil. Para ele, uma queda de 80%, por exemplo, realmente preocuparia a associação, pois demonstraria que os moradores da região, principais usuários do trecho, não estariam mais apoiando o movimento. ‘‘Além disso, nós e a população ainda não sabemos como as multas serão aplicadas aos 9 mil motoristas que usam o caminho todos os meses’’, comentou o presidente da Aipopec.
Carboni e uma comitiva, formada por políticos da região, voltaram ontem de Curitiba, depois de se reunir com representantes da Polícia Federal, Ibama e Polícia Rodoviária. Segundo o presidente da Aipopec, todos os presentes concordaram que, apesar da decisão da juíza do Tribunal Federal de Porto Alegre (RS), Marga Inge Tessler, ter definido a inderdição da estrada no dia 17 de janeiro, nenhuma notificação oficial foi encaminhada à associação. Os participantes do encontro também assumiram o compromisso de evitar qualquer ação violenta durante o fechamento do caminho, que ainda não tem data definida.
A associação marcou duas reuniões para hoje, uma em Capanema e outra Serranópolis do Iguaçu, onde as definições do encontro em Curitiba serão repassadas aos moradores.

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