A Transportes Coletivos Grande Londrina terá que deixar de operar as linhas da zona sul. O Tribunal de Justiça derrubou, ontem no final da tarde, a liminar concedida pelo juiz da 1ª Vara Cível, Manoel Silveira, em 4 de fevereiro, em favor da empresa. A liminar garantia à TCGL o direito de continuar operando o serviço, mesmo diante do decreto permissionário anunciado pelo prefeito Antonio Belinati, em 24 de janeiro. Pelo decreto, as 10 linhas da zona sul deveriam ser atendidas, com exclusividade, pela empresa Francovig.
A TCGL ingressou com uma ação denominada incidente de atentado e conseguiu a liminar. A prefeitura recorreu ao TJ e manteve a Francovig na zona sul, apoiado numa decisão do juiz da 5ª Vara Cível, Fernando Antônio Prazeres, que negou liminar a um grupo de funcionários da TCGL que pedia a suspensão do decreto.
O pedido para que a liminar fosse derrubada foi acatado pelo presidente do TJ, Henrique Chesneau Lenz César. Ele também decidiu que a ação de atentado continuará tramitando.
‘‘O presidente do TJ mostrou sua sensibilidade à questão do transporte coletivo de Londrina’’, comemorou o secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira. Ele anunciou que irá na segunda-feira ao Tribunal de Justiça, em Curitiba, para ser intimado pessoalmente, caso a intimação não chegue via fax na segunda pela manhã. ‘‘Nossa intenção é dar cumprimento imediato à decisão do TJ.’’ Isso significa que a prefeitura pretende que a TCGL deixe de atender a zona sul ainda na segunda-feira.
A decisão do TJ também foi muito bem recebida pela Francovig. Segundo o diretor Francisco Henrique Francovig, a empresa está preparada para atender a demanda da zona sul. Tão logo foi anunciado o decreto que garantia à empresa exclusividade de operação naquela região, a Francovig se reequipou. De acordo com o empresário, foram adquiridos 60 veículos - 70% deles 0 km.
‘‘E ainda contratamos mais 287 funcionários’’, informou. Entre eles, 115 motoristas e 115 cobradores. Francovig salienta que a região sul não tem demanda para duas empresas e, enquanto divide os passageiros com a TCGL, está tendo prejuízo.
Segundo ele, a TCGL ficou com 60% dos passageiros da região e a Francovig com 40%. ‘‘Isso porque eles (a TCGL) não cumpria os horários e aumentou a oferta de ônibus na região.’’ A Francovig mantém 50 ônibus para atender a zona sul e outros 30 para o transporte distrital.
A Folha tentou falar com o empresário Manoel Lopes, da Grande Londrina, mas não conseguiu localizá-lo. O advogado da empresa, Ronaldo Neves, também não quis entrar em detalhes sobre a decisão, por ainda não tê-la recebido oficialmente. ‘‘Não tenho elementos suficientes para me manifestar.’’

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