O total de homicídios registrados em Londrina neste ano igualou-se ao do mesmo período de três anos atrás. Em 2002, o número chegara a 98 assassinatos até o dia 16 de setembro, mesmo índice atual. Isso implica uma queda de 21% em relação ao ano passado e de 36% em relação a 2003, o ano mais violento da história da cidade.
O quadro de violência continua crítico, talvez demais para permitir que se comemore a redução. Mas as estatísticas podem indicar a existência de ações que foram eficazes e merecem ser aprofundadas. Além de mencionar a intensificação dos trabalhos em seus respectivos órgãos, os cabeças das polícias Civil e Militar em Londrina concordam que um agente foi e continua sendo fundamental na redução da criminalidade: a comunidade.
''A mídia tem mostrado ao cidadão como funciona a segurança pública, e o cidadão, por sua vez, tem colaborado nos passando informações, principalmente por meio do Disk-Denúncia (197)'', afirma o delegado-chefe da 10 Subdvisão Policial (SDP) de Londrina, Jurandir Gonçalves André. Ele disse desconhecer o comparativo entre este ano e 2002, levantado pela Folha, mas ressaltou a queda do número de homicídios em relação aos dois anos anteriores.
''Quando assumi (a chefia) em janeiro de 2003, vinha ocorrendo um acréscimo de 30 homicídios por ano em Londrina. Neste ano, até agora, tivemos 50 homicídios a menos que (o mesmo período) em 2003. Se conseguíssemos estancar o número de crimes já seria uma vitória, mas além disso nós reduzimos'', comemora o delegado, que também destaca o aumento do número de prisões. ''Hoje o meliante sabe que matar dá cadeia. E em Londrina é bandido matando bandido, quem está sendo preso é o sujeito que já tem passagem por furto, roubo e outros crimes'', argumenta.
No ano passado, até o dia 16 de setembro, foram registrados 124 assassinatos na cidade. Em 2003, o mesmo período foi marcado por 151 homicídios. O último crime do gênero ocorrido em Londrina, o 98º neste ano, foi no feriado de 7 de setembro: Jair Domingues Ribeiro, 36 anos, foi morto a facadas na Zona Norte. No mesmo dia foram registradas outras duas mortes violentas. Assim, o município tem alternado semanas relativamente tranquilas com períodos de mortes numerosas. Segundo a polícia, não há explicação para essas ''ondas de violência''.
Ao avaliar os 116 dias que completou ontem no comando do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina (leia mais nessa página), o major Marcos de Castro Palma fez um balanço positivo dos trabalhos, mas admitiu que a diminuição da violência poderia ter sido maior.
''Já conseguimos abordar perto de 80 mil pessoas, mais de 35 mil veículos foram fiscalizados e mais de 600 pessoas foram presas, a maior parte em flagrante. Houve uma diminuição no índice de criminalidade, embora não tanto como nós tínhamos planejado. Isso significa dizer que precisamos concentrar ainda mais o nosso esforço, que há muita coisa a ser feita'', afirma.

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