A incidência do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, sofreu redução de 80% nos últimos dois meses em Londrina. Um levantamento feito pelo Programa de Erradicação do Aedes (PEA) constatou que apenas 0,86% das casas visitadas pelos agentes em agosto deste ano e primeira quinzena de setembro apresentaram focos do mosquito. Entre abril e julho deste ano, o índice foi de 4,36%.
Para Mara Ferreira Ribeiro, diretora de epidemiologia e sa© úde ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, a diminuição é consequência da mudança no sistema de trabalho das equipes, que passaram a realizar a pesquisa e o tratamento no domicílio infectado durante a mesma visita.
Antes, os técnicos faziam apenas o levantamento das casas com larvas, voltando em outro dia para aplicar o larvicida.
As ações educativas adotadas pela secretaria também contribuíram para a redução no índice, segundo a profissional. Além da realização de palestras nos postos de saúde, o PEA distribui caixinhas de areia, selos, cartilhas e imãs de geladeira para a comunidade. O objetivo desse trabalho, conforme explicou Mara Ferreira Ribeiro, é formar multiplicadores de informação no controle dos focos do mosquito.
O programa visitou cerca de 18,3 mil imóveis entre os 183 mil existentes na cidade. Latas, garrafas e plásticos armazenados nos quintais foram os principais focos encontrados. Neste ano, já foram notificados 12 casos de dengue em Londrina, mas metade das pessoas contaminadas contraiu a doença em outras regiões.
O programa continuará sendo aplicado nos mesmos moldes até o final do ano. Mara Ferreira ressalta que a chegada das estações mais chuvosas aumenta a proliferação do mosquito, exigindo cuidados redobrados por parte do poder público.
Desde o dia 11 de setembro, o serviço de controle das doenças endêmicas está sob responsabilidade exclusiva da prefeitura. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) cedeu 79 funcionários para a Secretaria de Saúde, oficializando a municipalização do combate às endemias. A iniciativa inclui também os cerca de 120 agentes da dengue, que já eram coordenados pelo município.
Para Mara Ferreira Ribeiro, a municipalização vai facilitar as ações de combate porque permitirá a adoção de práticas mais adequadas às características de cada região. ‘‘Teremos autonomia para nos adaptarmos à realidade’’, aposta.
Febre amarela, doença de chagas, tracoma, bócio endêmico e malária são algumas endemias presentes na cidade. Os dados mais preocupantes, porém, são referentes à dengue, leishmaniose e esquistossomose, que apresentam maior incidência.
Antes de estabelecer estratégias de controle, será feito um levantamento dos casos notificados e verificação das condições domiciliares dos pacientes. ‘‘Vamos utilizar a experiência bem-sucedida que tivemos com a dengue para lutar contra as outras doenças’’, antecipa Mara Ferreira Ribeiro.

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