Cafezinho com sabor de casa
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Não dá para imaginar como seria Londrina sem toda a riqueza, crescimento e desenvolvimento gerados pelo café. Não por acaso, nosso estádio é do Café, o teatro é Ouro Verde, o shopping é Catuaí (uma variedade desse grão) e temos a Avenida do Café, o Conjunto do Café, a Gleba Cafezal e os conjuntos Cafezal I, II, III e IV.
Vestígios da época em que a cidade chegou a ser considerada a capital mundial do café têm sido mantidos também pela população. É só observar com mais atenção os quintais das casas para identificar um ou outro pé de café, plantados algumas vezes apenas para enfeitar, e em alguns casos para manter o hábito de produzir em casa o próprio café.
Quando plantou um pé de café no quintal de sua casa, a agrônoma Christina da Silva Wanderley, 41 anos, até tinha intenção de um dia colher os frutos e saboreá-los, mas não sabia se daria certo. Mas deu. Ela conseguiu aproveitar desde a primeira safra, pedindo ajuda e pegando emprestado o torrador de um cliente e o moedor de outro.
Com o tempo, ela comprou um descascador manual, um torrador e um moedor. Sem fogão a lenha, recorreu ao fogão a gás mesmo para torrar. É tudo bem improvisado. Mas é isso que é interessante. Participar de todo o processo, fazer tudo e ainda improvisar, comenta.
Christina garante que não é preciso ser especialista para conseguir produzir um café no ponto certo. Vai muito da sensibilidade. Na hora de torrar, você observa a cor, o cheiro, ensina, complementando que, para não deixar os grãos queimarem, fez um teste com uma pequena quantidade e cronometrou o tempo. A mãe, amigos e familiares (inclusive um tio que trabalhou durante muito tempo em uma companhia de café) de Christina que já provaram atestam que seu café é mesmo de boa qualidade.
A última produção do seu único pé de café rendeu quase quatro quilos de pó quantidade mais que suficiente para Christina e a mãe, que consomem a bebida mais nos finais de semana.
Mas não é todo mundo que tem essa disposição. Mesmo tomando café todos os dias, Joelma de Souza, 31 anos, nem pensa em aproveitar a produção dos quatro pés de café que tem no quintal. Minha mãe cresceu no sítio, torrava café quando eu era criança. Mas eu não faria o mesmo, dá muito trabalho. Além disso, não saberia acertar o ponto, ia deixar queimar, revela.


