Eles não sabem, mas são mais que estádios, são conceitos. Um é grande, robusto, sabe ''bem mais que seus vinte poucos anos''. O outro é quase um cinquentão, mas continua acanhado. Um marca a expansão da cidade rumo ao norte. O outro se mantém no coração da cidade, próximo de onde tudo começou e ao alcance dos pés de muita gente. Um acolhe o visitante com rampas e muitas portas. O outro, mais modesto, tem entradas estreitas, como as ruas que o circundam.
Ambos têm nome e apelido. Um, inaugurado na metade da década de 70, é batizado com o nome de um dirigente famoso e abnegado (Jacy Scaff), mas lembra mesmo a lavoura que trouxe a riqueza e, depois da geada, os defenestrados da zona rural. O outro, que abrigou os primeiros grandes eventos esportivos da cidade, de tão querido, se tornou uma sigla inconfundível. Destrinchada, as letrinhas formam o nome do célebre professor de Educação Física que ajudou a colocar a então emergente cidade no mapa esportivo do Estado.
Um, pertencente ao Município, já foi palco de atuação da Seleção Brasileira. O outro, abrigou pelejas movidas ao suor do amadorismo com o mesmo gosto que abrigou as atrevidas vitórias do Tubarão diante dos surpreendidos grandes clubes da capital. Um é motivo de orgulho, lembra prosperidade, o milagre londrinense, lembra a ousadia, que transformou tanta terra vermelha em cimento.
O outro, lembra os tempos difíceis, onde ganhar dinheiro era coisa fácil para aventureiros e tarefa difícil para os operários que febrilmente erguiam as construções da terra prometida. Mas, lembra também arrependimentos de quem visitava suas luxuriosas vizinhanças de moças bonitas. Carteiras vazias e casamentos em crise após o futebol.
Um tem gramado alto e o fantasma de pragas. O outro tem campo duro, o paraíso dos raçudos de pouco talento, que faz a bola e o torcedor ficarem nervosos a cada jogada. Um tem binóculo na platéia. O outro tem bafo quente vindo do alambrado, ofensas com audição cristalina e paúra do bandeirinha.
Um é cedido aos treinos do principal clube da cidade e guarda alojamento de meninos que sonham jogar na Alemanha. O outro, tem vizinho ilustre, cujos zumbidos automotivos, disputam a atenção nos mais terríveis zero-a-zero.
Um é lembrado para amendrontar adversários. O outro expõe a má fase e a desolação do torcedor com arquibancadas vazias. Um é, muitas vezes, pequeno demais. O outro, sob análises racionais e ocasionais, é quase um exagero.
Um é o Estádio do Café (Jacy Scaff) e o outro é o Estádio Vitorino Gonçalves Dias. O elo entre eles, o Londrina Esporte Clube, utiliza os dois, cada um a seu modo. A cidade, de preferência dividida, conta com duas extraordinárias histórias, escritas com gritos, vaias, aplausos, ambulantes, bandeiras, alegrias, tristezas, gols feitos e tomados. Escolha a sua preferida, Londrina.

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