Café e soja na mira dos cientistas
Café e soja na mira dos cientistas
Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa, em Londrina, estão buscando alternativas para enfrentar o Nematóide do Cisto, verme que segundo o chefe-geral da unidade, José Francisco Ferraz de Toledo, teve origem na China e chegou ao Brasil com sementes importadas dos Estados Unidos. As ovas eclodem na terra, entram pela raiz onde se multiplicam e depois sugam a seiva até a morte da planta. Depois que Nematóide se instala nunca mais deixa a lavoura,explica.
O primeiro Estado a sofrer com a doença foi Minas Gerais, onde as consequências foram desvastadoras, atingindo a maior parte da área plantada. Como novas variedades não se mostraram suficientes para o controle do verme, a Embrapa está recomendando o plantio direto para evitar a disseminação da doença pelo vento ou no transporte de máquimas.
Há cinco anos o grande desafio da unidade da Embrapa foi o Cancro da Haste, um fungo que mata a planta antes da formação da vagem da soja e que também teria sido importado dos EUA. A doença foi controlada após o desenvolvimento de variedades. Outra praga que vem causando preocupação aos pesquisadores é o percevejo, que suga o grão da soja e se não for controlada pode causar a perda total da lavoura. O percevejo vem sendo combatido por inseticidas biológicos e uma vespa chamada Trissolcus Basilis.
Já o diretor-técnico científico do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), Rogério Cardoso, lembra que uma das grandes contribuições do instituto foi o desenvolvimento do café Iapar 59, resistente à ferrugem. Cardoso explica que o Iapar foi o primeiro instituto de pesquisa do mundo a alcançar essa variedade, após trabalhar em conjunto com o Centro de Investigação das Ferrugens do Café, em Oeiras, Portugal, e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O primeiro impacto econômico é que essa variedade não necessita de controle químico. Há um ganho financeiro e ambiental, destaca.
Segundo ele, os estudos mostraram que o Iapar 59 produz até 40% mais que as variedades Catuaí e Mundo Novo, além da planta apresentar um porte menor. Com essas características estava aberta a possibilidade do plantio adensado, um grande ganho para a cafeicultura paranaense, resume.
Segundo Rogério Cardoso, atualmente o Iapar busca uma mudança em seu perfil tecnológico, realizando estudos nas áreas de metal-mecânica, química fina e produção de alimentos. (Lino Ramos)





