Cães também transmitem leptospirose
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terça-feira, 08 de janeiro de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Poucos sabem, mas o rato não é o único transmissor da Leptospirose. 'O melhor amigo do Homem' - também conhecido como cão - é o vetor da doença mais próximo dos seres humanos. Ao entrar em contato com a urina de roedores, ele pode adoecer e/ou eliminar a bactéria Leptospira no meio ambiente. Para uma cidade como Londrina, que tem cerca de 35 mil cães vivendo abandonados nas ruas, o alerta vale em dobro. ''Algumas vezes, o cachorro não apresenta a sintomatologia característica (anorexia, vômito, febre, apatia, insuficiência renal e hepática, entre outros) e somente exames de sangue e urina tiram a dúvida'', disse a médica veterinária Aline Benitez, que avaliou a saúde de 33 cães abandonados na Universidade Estadual de Londrina. Ela buscou saber a situação desses animais em relação à Leptospira para um trabalho de conclusão de curso (TCC), apresentado em 2007. O teste sorológico mostrou que 21% dos animais pesquisados possuíam anticorpos contra a bactéria e um enquadrava-se como transmissor ativo.
A Leptospira entra pelas mucosas ou pele lesionada. Nos cães, ocorre pelo contato direto com animais infectados ou, mais frequentemente, devido à exposição a ambientes contaminados. Na maioria das vezes, o homem contrai a bactéria pelo uso de água contaminada com a urina de animais infectados; diretamente, pela mordedura, manipulação de tecidos, ingestão de alimentos ou água contaminados. A transmissão direta entre pessoas é extremamente rara.
Ano passado, a Vigilância Epidemiológica de Londrina registrou cinco casos de Leptospirose em Londrina, dos quais um foi fatal. Segundo a diretora Sônia Fernandes, todos mantiveram contato com ratos, em casa ou no trabalho.
Os sintomas mais comuns são dores de cabeça, musculares, irritação ocular, tremores, febre, vômito e diarréia são os principais indícios do contágio em seres humanos. Em estágio avançado, a Leptospirose provoca aumento de fígado e hemorragia interna. ''Felizmente, mais de 90% dos pacientes não precisam nem mesmo de antibióticos para chegar à cura, apenas 5% são considerados graves e menos de 1% levam à morte'', acrescentou Sônia. A semelhança clínica com outras moléstias pode - erroneamente - sugerir o diagnóstico de pneumonia ou dengue. Por isso, é importante realizar o exame de sangue quando o suspeito frequentou áreas rurais, alagadiças ou afetadas por enchentes.
A prevenção da Leptospirose exige a vacinação anual dos animais domésticos e alguns cuidados de higiene. Conforme Moacir Gimenez Teodoro, coordenador de saneamento da Vigilância Sanitária de Londrina, a incidência da Leptospirose é pequena na cidade e, por isso, não existem campanhas educativas contra ela. À medida que aparecem suspeitos a população é orientada e ações de saneamento são reforçadas.
A reportagem da Folha procurou membros da ONG S.O.S Animal para informar a situação dos animais abandonados nas ruas da cidade, mas não obteve sucesso. De acordo com a Secretaria Municipal do Ambiente, não existe nenhum projeto para a construção de um Centro de Zoonoses na cidade.


