Milton DóriaSobreviventeVeterinário com ovelha que passou por tratamento de reconstituição da mandíbula: cães vadios Professores e veterinários do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciaram ontem os exames nas ovelhas atacadas na Fazenda Vale do Sol, em Ortigueira (130 quilômetros ao sul de Londrina). A hipótese mais provável, segundo os especialistas, é que o ataque foi de cachorros que vivem nas matas da região. O laudo oficial da biópsia, feita em uma das cinco ovelhas, deve sair no início da próxima semana.
Na madrugada de anteontem, 66 ovelhas morreram e 19 ficaram feridas num ataque misterioso. Elas foram encontradas mortas num barracão, com as faces dilaceradas. Muitas apresentavam vértebras quebradas e sinais de esmagamento. Veterinários estiveram no local e fizeram as primeiras biópsias, mas não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que teria provocado o ataque.
Para o professor de Clínica Cirúrgica de Grandes Animais do HV, Ney Carlos Reichert Netto, pelas marcas encontradas nas ovelhas vivas, as mortes foram provocadas por uma matilha de cães. Especialista no estudo dos ovinos, ele afirmou ter presenciado casos semelhantes em rebanhos no Rio Grande do Sul, que tem tradição na criação de rebanhos de ovelhas com mais de três mil animais.

Milton Dória‘Foram felinos’O proprietário da fazenda, Kamal El Kadri, acredita na hipótese de ataque por sussuarana‘‘Pelo tipo de lesões apresentadas pelos animais que trouxemos para cá, eram mordidas de cães. As ovelhas tinham lesões de pele e não apresentavam arranhados ou marcas de sufocamento, características dos felinos’’, informou. Ele acredita que o responsável pelo ataque não foi um cão isolado, e sim uma matilha.
Segundo o professor, os cães teriam saído de pequenas cidades nos municípios do interior. ‘‘Os cães vadios simplesmente se refugiaram em bandos nas matas da zona rural. A busca por alimento faz eles atacarem os animais nas fazendas, tornando-se agressivos’’.
Ele disse que o fato das ovelhas estarem num barracão elevado do solo não impede que os cães abram caminho até elas. ‘‘Ninguém pode dizer que os cães não comeram nenhum pedaço de ovelha. Eles podem ter se alimentado no primeiro ataque e depois seguiram o instinto de matar ovelhas’’.
Ele deu uma explicação para a quase ausência de sangue no local. ‘‘As ovelhas possuem muita lã, o que dá impressão de ser grande e pesado. Após a tosquia, uma ovelha média pesa cerca de 20 quilos, apresentando apenas 8% de massa líquida (sangue), ou menos de dois litros de sangue.’’ Como as ovelhas correram em grupo de um lado para o outro, o sangue foi facilmente apagado do abrigo.
Para o especialista, cinco a seis cães seriam suficientes para cometer esta carnificina, principalmente porque a tendência do cão é atacar o pescoço e a face. ‘‘Um cão de porte médio tem força de mandíbula muito grande, suficiente para destroçar os ossos da face’’, ressalta.
O proprietário da fazenda Vale do Sol, Kamal El Kadri, acredita que o ataque foi feito por sussuarana (felino). Ele chegou a esta conclusão após conversar com um especialista no assunto, que sofreu um ataque semelhante há alguns anos. ‘‘Ela costuma andar com os filhotes até os três anos e matam para comer. Só que os filhotes, que acompanham os adultos na caça, querem brincar e acabam matando os outros animais’’, comenta. Na opinião dele, a falta de sangue no abrigo se deve ao fato de que a sussuarana não come o animal quando o corpo ainda está quente.

mockup