Cães perigosos são recolhidos por bombeiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Entre janeiro deste ano até ontem, o Corpo de Bombeiros de Londrina já capturou 263 animais que vagavam abandonados pelas ruas ou estavam em residências mas ofereciam riscos às pessoas. Os cães são as maiores vítimas de abandono: somam sete em cada 10 animais recolhidos. O problema ganhou proporções perigosas nas últimas semanas, quando cães da raça Pit Bull foram capturados.
O último animal capturado foi uma cadela Pit Bull, que aparenta ter entre um ano e meio e dois anos e que deve ter dado cria há pouco tempo. Ela foi recolhida numa rua do Jardim Quebec (Zona Oeste) e, desde então, permanece na base dos Bombeiros do Lago Igapó 2. O cabo Marcos Alves participou da captura e contou que a cadela se mostrou dócil, ficou intimidada mas não atacou. Mesmo assim, ele orientou que as pessoas devem ter cuidado porque ''a natureza é imprevisível''.
O soldado Fábio Henrique Bravin disse que outro exemplar de Pit Bull foi capturado em uma feira nas proximidades do Terminal Urbano (Área Central). ''Ele era um filhote ainda e o pessoal ligou reclamando que ele estava acabando com a feira, de tanta bagunça'', lembrou. No sábado, um bombeiro da base decidiu ficar com o animal.
Quando ninguém se interessa pelo animal capturado, os Bombeiros requisitam a ajuda da Organização Não-Governamental (ONG) SOS Vida Animal, que cuida de bichos abandonados. A Prefeitura de Londrina não tem um local apropriado para recebê-los e abrigá-los.
O comandante do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros, capitão Ezequias de Paula Natal, confirmou que foi percebido o aumento no número de cães abandonados nas ruas da cidade, principalmente de raças tidas como mais perigosas, como o Pit Bull. ''Além do risco principal da pessoa ser atacada tem também o risco dela ser contaminada com a raiva, por exemplo, porque não há como garantir o controle sanitário dos cães abandonados''. citou.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Gérson da Silva, informou que não há previsão de construção de um canil municipal para raças perigosas. ''Estamos fechando uma parceria com o pessoal da SOS Vida Animal para que a ONG construa um abrigo provisório para receber cães vítimas de maus tratos'', afirmou. O secretário disse ainda que a parceria vai trabalhar também a posse responsável. ''As pessoas adquirem seus Pit Bulls e depois deixam soltos e, quando atacam alguma pessoa, o proprietário abandona o cachorro ao léu. Isso é proibido e o cidadão pode ser multado e obrigado a dar tratameto adequado ao animal'', esclareceu Silva.
Residente no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (HV/UEL) e dono de cães da raça, o veterinário Giórgio Queiroz Pereira ponderou que o Pit Bull é muito equilibrado mas que seu comportamento vai depender do bom senso do dono. ''É um cão que tem que ser socializado tanto com outros cães quanto com pessoas'', ensinou, lembrando que o animal precisa de espaço e de passeios diários.
Neste ano, esta raça e outras também classificadas como violentas, como o Rotweiller por exemplo, estiveram envolvidas em diversos ataques contra crianças e adultos, o que reacendeu o debate sobre qual a melhor forma de controlá-las: entre as alternativas estão a colocação de chips eletrônicos; castração; ou proibir a criação.


