Foi aprovado ontem por unanimidade na Câmara Municipal o projeto de lei que obriga a colocação de focinheira em cães ferozes que estejam circulando em vias públicas. O projeto, que ainda depende de sanção do prefeito Cassio Taniguchi, estipula multa de 500 Ufirs (ou, nos valores de ontem, R$ 488,50) para o condutor do animal que descumprir a lei. Se não houver veto, os proprietários de Rottweiler, Doberman, Fila Brasileiro, Pit bull Terrier, Mastin e Pastor Alemão terão que gastar entre R$ 20,00 a R$ 100,00 para comprar uma focinheira e passear com o cachorro no parque.
De acordo com a autora do projeto, a vereadora Nely Almeida (PSC), a média anual de pessoas atacadas por cachorros na capital é de 7 mil. ‘‘Em 1997, 907 foram agredidos em praças e parques, 517 em estabelecimentos comerciais e o restante em suas próprias residências’’, disse, baseando-se em levantamento feito pela Secretaria Municipal da Saúde.
Para a vereadora, a medida de colocar a focinheira serve para disciplinar os proprietários que não sabem educar os animais. ‘‘Caminho em alguns parques da cidade e vejo gente andando irresponsavelmente com cachorros perigosos sem coleiras’’, disse Nely Almeida. Pela lei aprovada, o condutor do cão deve pôr, além do protetor bucal, uma coleira ou enforcador (que é a corrente que prende o pescoço do animal).
Para o criador Valdenir de Oliveira Resende, da academia de adestramento K9, o projeto é válido porque existe muita irresponsabilidade de proprietários de animais ferozes. Ele entende que a personalidade do cão é fruto da maneira como ele é adestrado. ‘‘Um dono que anda distraído com um cão de guarda na rua não percebe as reações que ele tem frente às outras pessoas’’, afirma.
Para ele, é preciso que os treinadores ensinem o proprietário a lidar com o animal. ‘‘Como o homem, ele precisa de limites definidos. Mas na maioria das vezes os donos subestimam o animal’’, disse. Ele acrescentou que normalmente a escolha do animal é feita com base no estético, deixando a função em segundo plano.
‘‘Com isso, aquele animal bonito acaba ficando trancafiado num espaço pequeno, que é inadequado para sua natureza’’, criticou a diretora da Sociedade de Proteção aos Animais, Enid Bernardi. Para ela, a lei deve ser estendida para uma fiscalização sobre o canil e a altura de muros.
Quanto à adaptação do animal, com a focinheira, o veterinário Roberto Luiz Langue explicou que se o animal for mais velho poderá resistir ao uso. ‘‘Por isso, é preciso de acompanhamento para a sua colocação’’.

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