Que o brasileiro é mesmo louco por bichos, não se pode negar. As estatistícas dos fabricantes de alimentos para animais de estimação demonstram isso. O Brasil possui 31 milhões de cães e 15 milhões de gatos, sem contar os que estão nas ruas. Há ainda os que nascem com algum tipo de deficiência e correm o risco de ser sacrificados antes de ter a chance de provar que podem ser úteis.
Eles são animais extraordinários e especiais. São campeões, podem levar uma vida absolutamente normal, brincar como qualquer outro bicho, ser plenamente felizes e até andar de moto - caso da dupla Zé Bob e Russo. Cães da raça sharpei, que foram adotados pelo estudante de Direito Wellington César Dalbello, 20 anos. Ele conta que os cães não foram adestrados. ''Eu mesmo ensinei'', explica.
Há cinco meses Wellington soube que Zé Bob seria encaminhado para o sacrifício. Levou o cão para casa para passar um dia, se apegou de tal forma ao bicho que não o largou mais. ''Zé Bob é o xodó, foi o primeiro que adotei e o Russo sabe disso. Quando soube que ia ser sacrificado, imediatamente o levei para casa. Pensei que ia arrumar um lugar para ele ficar, mas por ele ser cego ninguém quis. Agora que ele aprendeu a andar de moto todo mundo quer'', conta.
Zé Bob está com nove meses e não fica sem companhia. Depende dos donos, mas aprendeu a se virar e prega até algumas peças em Wellington. ''É uma comédia, moro num apartamento e quando ele era pequeno trombava em tudo. Hoje ele parece fazer de propósito, corre e quando chega perto da parede ele para e olha para trás, querendo me provocar'', sorri.
Os dois cães têm deficiência, Zé Bob é cego e Russo nasceu estéril, sem o aparelho reprodutor. Mas isso não os impede de viverem alegres e contagiarem a vizinhança quando saem para passear de moto.

mockup