|
  • Bitcoin 120.473
  • Dólar 5,1649
  • Euro 5,2600
Londrina

O BICHO PEGOU

m de leitura Atualizado em 02/10/2020, 18:26

Cães e gatos reagem diferente durante a pandemia; saiba como

Com a maior frequência da família no ambiente, eles enfrentam mudanças na rotina

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de outubro de 2020

Laís Taine - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

menu flutuante

Durante a pandemia de coronavírus, ficar em casa é uma recomendação de saúde, mas quem estranha esse movimento na residência são os animais de estimação. Com a maior frequência da família no ambiente, eles enfrentam mudanças na rotina, como horários diferentes para descanso, brincadeiras e passeios, o que pode afetar a saúde do animal. Especialistas orientam tutores a se atentarem às mudanças de comportamento dos seus pets.

Imagem ilustrativa da imagem Cães e gatos reagem diferente durante a pandemia; saiba como Imagem ilustrativa da imagem Cães e gatos reagem diferente durante a pandemia; saiba como
|  Foto: iStock
 

Cães e gatos respondem de forma distinta ao isolamento social dos tutores. “O cão em si tem um comportamento mais próximo ao dono do que o gato, isso pode trazer prejuízos ao animal quando pensarmos na volta da rotina dessa família, com manifestação de doença comportamental, como a ansiedade de separação”, menciona Dayane de Jesus, médica veterinária do Hospital Veterinário da UniFil. 

Depois de tanto tempo em companhia de outras pessoas, o cão pode manifestar a doença por ficar repentinamente sozinho. A sugestão é tentar manter a rotina do cão mais próxima possível do que era antes da pandemia e acostumá-lo aos poucos a se sentir bem sozinho, usando técnicas como enriquecimento ambiental.

“Quando for sair, ir ao mercado, comece a introduzir brinquedos interativos para que ele não perceba tanto a sua ausência. Isso tem que ser gradativo, para ele ir se acostumando a ficar sozinho em casa novamente”, indica. Outras alterações, como redução dos passeios também devem ser consideradas. Segundo a especialista, não se deve excluir totalmente os passeios do animal e orienta a higienização das patas com produtos específicos para pets, pois o álcool pode ressecar a pele do animal.

Para gastar as energias, sugere atividades com brinquedos e de adestramento dentro de casa e ensina avaliar qualquer comportamento diferente que podem ser sinais de estresse do cão, como a lambeduras constantes das patas e agressividade. “Ele pode se tornar agressivo se estiver todo mundo em casa e se não estiverem o deixando descansar. O estímulo excessivo vai trazer estresse ao animal, é preciso ter horários para adestramento e brincadeiras”, menciona. 

GATOS 

Enquanto os cães são mais dependentes, os gatos são metódicos e gostam de ter a própria rotina, conforme explica Carolina Grecco, médica veterinária na Unopar.. “Eles têm horário para comer, lugar que gostam de dormir, horário para dormir, o silêncio que já estão habituado... O tutor estando em casa, com criança ainda, pode deixar o animal estressado”, afirma. 

Isso porque talvez ele seja obrigado a mudar alguns hábitos, buscar novo local para dormir ou passa a ser incomodado na hora do sono, o que gera comportamentos de estresse. “Cistite, inflamação da bexiga, acabam urinando mais vezes que o normal. Também pode surgir urina na cor alaranjada, com um pouco de sangue, ou eles procuram a caixinha, ficam na posição, mas não sai nada. Essas são algumas manifestações de estresse”, indica. 

Por estresse, o gato também procura espaços escondidos na casa para ficar e pode arrancar o próprio pelo. “Ele não faz isso quando a gente está vendo, a gente só vê a falha do pelo e ele arranca mesmo, um processo de automutilação. Além de que qualquer animal estressado pode acabar parando de comer”, afirma. Como tratamento, há medicações e técnicas de adestramento, mas o indicado é levar o animal para uma avaliação com um especialista. 

Imagem ilustrativa da imagem Cães e gatos reagem diferente durante a pandemia; saiba como Imagem ilustrativa da imagem Cães e gatos reagem diferente durante a pandemia; saiba como
|  Foto: Folha Arte
 

 HUMANOS 

Além dos animais, os pets também causam efeitos aos tutores que estão em isolamento domiciliar. “Ter uma companhia sempre é recompensador, o isolamento social traz muita ansiedade, tanto para o animal quanto para uma pessoa”, defende a médica veterinária Dayane de Jesus. 

Segundo ela, o comportamento de um pode influenciar no outro. “Se o tutor está estressado, isso reflete para o animal. A saúde mental da pessoa vai refletir na saúde mental do animal”, afirma. Porém, a responsabilidade de manter o animal distraído na quarentena também pode ser ótima atividade para os humanos. “Acaba enriquecendo o nosso dia, uma ocupação, distração, o que é essencial para a vida, traz benefícios esse amor e carinho ao animal e vai reduzir o estresse”, afirma. 

A médica veterinária Carolina Grecco aponta que durante a pandemia houve aumento no processo de adoção e que as pessoas, por ficarem mais tempo com os animais, acabam observando melhor a saúde do animal. “E para quem está sozinho, ter uma companhia é importante. Só tem que pensar bem se depois dessa quarentena vão poder continuar dando atenção ao animalzinho e avaliar que se vai ficar o dia todo fora, quem vai dar alimentação e trocar água?”, questiona.