A morte pode ser o destino dos mais de 50 cães e gatos acolhidos pela dona-de-casa de 62 anos que mora sozinha em um sobrado da Vila Casoni (Área Central de Londrina). Uma equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) esteve no local ontem à tarde e constatou que a dona não se desfez dos animais, como havia sido determinado pelo Município. O prazo venceu há três dias.
Conforme a reportagem testemunhou, às 14 horas a equipe bateu palmas e chamou várias vezes pela moradora no portão da casa, mas ninguém atendeu. O aposentado Aparecido Rodrigues dos Santos, vizinho que divide o muro com a dona dos bichos, garantiu que nenhum deles foi removido.
''Ontem chegaram sacos de ração e um açougueiro trouxe carne à noite. É bom que se investigue bem isso, porque nós não vimos nem gato nem cachorro indo embora'', afirmou o morador, que há anos vem cobrando providências das autoridades. Na última sexta-feira, uma filha da moradora declarara à FOLHA que pelo menos metade dos animais seria levada para uma chácara. A ordem da Sema foi dada há duas semanas, no mesmo dia em que três caminhões lotados de lixo foram removidos da residência.
Agora, a Secretaria sugere um fim no mínimo polêmico para os animais - 55 gatos e 10 cães, segundo a primeira contagem: a eutanásia. Questionada se a lei permite uma matança em massa dos bichos, a veterinária da Sema, Anne Christine Hiltel, que esteve na casa, respondeu que ''sim, se for de sua propriedade''.
Consultado pela FOLHA, o secretário municipal de Meio Ambiente, Gerson da Silva, afirmou que se a proprietária não der um destino aos animais domésticos, a própria Sema poderá fazer a eutanásia. ''Oficiamos a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e a ONG SOS Animal, questionando se teriam interesse em pegar os animais para estudo ou doação. Se eles recusarem, vamos fazer um relatório ao Ministério Público (MP) solicitando autorização judicial para entrar na casa e fazer a apreensão, seguida de sacrifício'', declarou.
O secretário garantiu que a medida não vai contra a legislação de crimes ambientais. Mas é justo matar dezenas de animais que, a princípio, estão saudáveis? ''Nesse caso específico não se configura como maus tratos. Por uma questão de saúde pública temos que sacrificar, porque o Município não tem canil, não tem como abrigar os animais'', assinalou. Alguém aí se lembrou da polêmica das pombas?
A reportagem ligou para os consultórios e telefones celulares do diretor do Hospital Veterinário, Ney Carlos Reichert Neto, e da médica representante do SOS Animal, Andréa Santana, mas não os encontrou para comentar o assunto.

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