Maringá - A utilização de cães de pastoreio no Brasil vem crescendo nos últimos cinco anos. No Paraná, esses animais ainda não são tão comuns nas propriedades rurais, mas a realização de competições dentro de feiras e exposições tem chamado a atenção dos criadores de gado. Um cachorro bem treinado é capaz de fazer o trabalho de três homens na condução dos animais, como foi demonstrado em um torneio dentro da 35 Exposição Agropecuária e Internacional de Maringá (Expoingá), no final de semana.
A raça mais conhecida hoje no Brasil para esse tipo de trabalho é o Border Collie. Um filhote pode custar até R$ 2 mil, dependendo de sua linhagem. De acordo com os treinadores, um cachorro é capaz de organizar um rebanho de até 150 cabeças de gado e 400 de ovelha. No torneio realizado durante a feira, mais de 20 cães mostraram suas habilidades e chamaram a atenção do público. Os animais atendem comandos de voz e de apito.
De acordo com o presidente do Clube dos Amigos dos Cães de Pastoreio, Nedson Buzzo Júnior, há 15 anos esses animais vem sendo introduzidos nas propriedades rurais, mas nos último cinco o número tem aumentado. Por enquanto, eles ainda são mais comuns nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, mas a procura tem crescido também no Paraná e Mato Grosso.
''O trabalho com eles é muito prático e eles são muito inteligentes. O importante é que eles recebam o treinamento correto para trabalhar. Sem treino, o proprietário usa no máximo 30% da capacidade do animal. Um animal bom equivale a três ou cinco peões no campo'', explica. Os cachorros começam a ser treinados com cerca de um ano e em poucos meses já começam a ir para o trabalho na propriedade.
Buzzo Júnior lembra que nesse trabalho também é importante que o peão ou quem for lidar com o animal deverá receber orientações, caso contrário, não vai conseguir explorar toda capacidade do cão. Além do Border Collie, também são usados para esse tipo de trabalho as raças Australian Kelpip, Australian Shepherd e Heeeler.
A proprietária de uma fazenda no município de Presidente Prudente (SP), Marilza Andrade, começou a usar cães no trabalho com o gado em 2003 e desde então, comprou mais quatro animais. ''Eles são muito obedientes e trabalham o dia todo. Na verdade, eles parecem ter prazer em cuidar do rebanho'', comenta.
Ela trouxe seu cão para participar do torneio em Maringá e acha que a utilização desses animais deve crescer cada vez mais. ''Além de serem muito úteis, ainda são grandes companheiros'', acrescenta.

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