'Cães comunitários' são castrados
Cornélio Procópio - Independentemente de ações organizadas, integrantes do comitê e da associação de Proteção do Bem-Estar Animal fazem o que podem individualmente. A professora Maria Helena de Matos é um exemplo. Ela diz que já perdeu as contas de quantos cães levou para dentro de casa que, segundo ela, é uma ''casa de passagem''.
No momento, lá estão Lula, Rica, Neguinha, Amy e Madri. Os animais vêm de atendimentos de denúncias, realizados pela associação e pelo comitê, e de atropelamentos.
Neguinha, por exemplo, foi retirada de dentro de uma fossa, onde estava presa. ''Demorou dois ou três anos para tirar o fedor dela'', brinca a professora. Neguinha fraturou a bacia e precisou colocar uma prótese. Depois da cirurgia, no entanto, houve rejeição e todo dia tem que tomar comprimidos. Por causa da imunidade baixa, veio ainda mais um agravante - perda de pelos em várias regiões do corpo. Apesar disso tudo, é a mais serelepe de todos.
Já Lula, uma vira-latas, já tinha um problema de coluna e andava com dificuldades. Quando foi atropelada, o dono não cuidou e uma de suas pernas precisou ser amputada. Maria Helena a recolheu, tratou, e adotou.
A professora afirma que nunca teve dificuldades em encontrar novos donos aos animais. Para a castração, Maria Helena leva os animais até a Universidade de Bandeirantes e paga com dinheiro que consegue de promoções como bazares e rifas. ''Mas claro que tem casos que chamamos de 'cães comunitários', que não recuperamos da rua porque lá eles estão felizes, comem na porta de supermercados'', acrescenta. Estes recebem apenas castração.
Na casa do contador Bruno Navarro, Menina chegou e levou, mais tarde, ainda quatro filhotinhos. Ela também havia sido atropelada ali por perto, e foi encaminhada por Bruno até Londrina para se recuperar.
Como no início o contador estava fazendo reforma na casa, primeiro comprou uma casinha para os cães que deixava no terreno baldio em frente. Depois que a reforma ficou pronta, chamou a cachorrada de volta.
Mais tarde chegou Bebelva, que também fora atropelado. No total, são seis cães, que mesmo quando vão dar um longo passeio, acabam voltando para casa, conta Bruno. Mas todos eles já encontraram seu lar - o contador afirma que não tem a intenção de doar nenhum deles. (M.F.C.)





