Marcos BorgesEspecialistaProfessor Faria dos Reis com cabeça de ovelha: mordeduras nos animais serviram de evidênciaO Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou ontem o laudo da necrópsia realizada em três ovelhas atacadas na semana passada, na Fazenda Vale do Sol, em Ortigueira (130 quilômetros ao sul de Londrina). A conclusão da equipe de veterinários que analisou os animais confirmou a suspeita que já existia. As mordidas deixadas no focinho das ovelhas indicam que elas foram atacadas por animais caninos - seriam cães selvagens ou domésticos.
Na madrugada do dia 5, 66 ovelhas morreram e 19 ficaram feridas num ataque misterioso. A maioria dos animais mortos sofreu dilaceração e mordeduras nas faces. Outras simplesmente tiveram o corpo esmagado. Apesar da casa do administrador da fazenda ficar perto do barracão onde estavam os animais, ninguém ouviu nada.
Cinco das ovelhas atacadas foram levadas ao HV. Duas, que estavam mortas, foram esquecidas pelos veterinários, pois estavam em estado de putrefação e não permitiriam um diagnóstico exato. No dia 6, o professor de Clínica Cirúrgica de Grandes Animais do HV, Ney Carlos Reichert Netto, avaliou, pelas marcas encontradas nos animais, que o ataque seria, possivelmente, de cães.
Das três ovelhas recolhidas vivas, duas foram submetidas a análise laboratorial com exames de necrópsia, parasitologia e hematologia. ‘‘Infelizmente não encontramos nenhum vestígio do possível animal agressor para tentar fazer a identificação. Tivemos que nos basear somente na agressão. Tudo indica que foi feito por caninos’’, explicou o professor Antônio Carlos Faria dos Reis, do departamento de Medicina Veterinária Preventiva.
Outros professores do HV foram consultados. A hipótese de ataque por felinos foi descartada. ‘‘A forma como o ataque ocorreu e pelas marcas deixadas nas ovelhas eliminam esta hipótese. A onça, jaguatirica ou outro felino de porte mata um animal para comer e leva a presa. Não foi o caso da fazenda’’, disse Reis.
A conclusão dos veterinários foi favorecida pelo histórico de ataques registrados na região e relatos do proprietário da fazenda, Kamal El Kadri, de que outros animais já haviam sido atacadas anteriormente por cães. ‘‘O tipo de agressão sugere isso. Além disso, este ataque foi diferente do ataque de animais silvestres, como a onça’’. Porém, Reis afirmou que os três animais analisados representam uma amostra muito pequena do total do rebanho, o que dificultou uma análise mais completa.

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