Londrina - Dois rottweillers adultos e um filhote escaparam de uma chácara na localidade de Cambezinho (Zona Sul) na manhã de ontem e atacaram carneiros que estavam em uma propriedade vizinha. Os cães mataram dois animais e feriram gravemente outros dois em poucos minutos. O fato não foi comunicado à polícia mas donos de cães ferozes podem ser responsabilizados criminalmente em casos de ataques contra pessoas.
O caseiro Antônio José Santana presenciou a morte dos animais. Ele estava no quintal de uma chácara vizinha e percebeu uma agitação estranha dos carneiros. Ao se aproximar da cerca, percebeu que os cachorros já haviam atacado e matado dois carneiros e ferido gravemente outros dois. Os cães estraçalharam o pescoço dos animais. Um filhotinho foi o único que conseguiu escapar ileso porque correu e se escondeu em uma baia.
Santana se armou com um pedaço de pau e partir para cima dos cachorros para expulsá-los da chácara. "Eles tentaram me atacar mas acabaram indo embora", apontou o morador. Segundo ele, há alguns meses os mesmos cães teriam matado cerca de 30 carneiros em uma outra propriedade no bairro.
O dono dos carneiros, João Carlos Akaishi, questiona a fragilidade da cerca da chácara onde vivem os cães. "É uma cerca muito baixa, com uma tela muito fina. As crianças que passam ali correm perigo. Eu sempre trago meu filho pequeno e deixo ele brincando com os carneiros. Já pensou se ele estivesse ali?", indaga.
A FOLHA procurou os donos dos cães -Thor, de 3 anos, Duda, de um ano, e Rambo, de cinco meses- mas eles não estavam em casa. Por telefone, Mariza Florindo, alegou que seus cachorros só atacam outros animais por uma questão de instinto. "Com o ser humano eles não são violentos e nunca atacaram ninguém", assegurou. "A gente vai resolver o que fazer com eles. Vou ver se tiro eles de lá ou faço outra coisa", comentou.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, explicou que cada situação envolvendo ataques de cães precisa ser analisada individualmente, porque há casos em que os danos provocados se restringem à esfera cível (casos de ressarcimento por danos materiais) e outros que se estendem também à criminal (quando pessoas são feridas ou mortas). Nos ataques contra pessoas os donos dos cães podem ser responsabilizados. "Quando o cão machuca ou mata alguém, em tese o dono pode responder por negligência, lesão corporal, homicídio culposo (sem intenção) ou até mesmo doloso (com intenção de matar)".
Como não há um programa municipal que receba reclamações e denúncias de animais de rua, o Corpo de Bombeiros acaba ficando com a responsabilidade de atender casos de ataques contra civis. Segundo o sargento da corporação, Valmir Alexandre, a Central de Atendimento recebe de três a quatro chamadas por dia com pedidos de resgate, principalmente de cachorros que estão oferecendo risco à população.
"Assim que chegamos ao local, prendemos o animal e tentamos localizar o dono. Geralmente são cães violentos, que acabam fugindo, ou que os donos não conseguem controlar", explicou. Caso o proprietário não seja identificado, o cachorro é levado para a corporação.
Ontem havia um cachorro da raça pit bull no Corpo de Bombeiros, preso há três dias. "Já ficamos com quatro cachorros de uma só vez", acrescentou o sargento. De acordo com ele, os cães ficam uma semana na Central esperando os donos ou até mesmo adoção. Depois são encaminhados à Universidade Estadual de Londrina (UEL).

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