O número de casos de Aids registrados no Paraná está diminuindo. É o que apontam os dados do novo Boletim Epidemiológico Aids/DST, divulgados nesta semana pelo Ministério da Saúde. Segundo o estudo, em 2007 foram 1.699 casos no Estado. Esse é o menor número de contaminações desde 2002, quando foi registrado o maior número de casos da doença, 2.199.
  De acordo com o Ministério, estaria havendo uma ‘‘estabilização’’ da epidemia na região sul do País. Em 2000 foram notificados 26,3 casos por grupo de 100 mil habitantes. Em 2006 esse número passou para 28,3.
  De 1984 até o hoje a Secretaria Estadual de Saúde registrou a ocorrência de 20.335 casos no Paraná. O boletim do Ministério da Saúde aponta que, em 2007, 513 pessoas morreram em decorrência da Aids no Estado. Esse número é um pouco menor do que o registrado em 2006, quando foram 578 óbitos.
  Um dado, porém, vem preocupando especialistas no combate à Aids/HIV: a alta incidência da doença em pessoas com mais de 50 anos. O número de casos em brasileiros nesta faixa etária dobrou nos últimos anos, passando de 7,5 infectados por grupo de 100 mil habitantes, em 1996, para 15,7 em 2006. Na região sul esse número é ainda maior – passou de 7,1 para 22,9 no mesmo período. No Paraná o cenário é melhor: 5 por grupo de 100 mil habitantes.
  Mas é preciso cuidado para não criar a sensação de que a doença está controlada. O alerta é da presidente da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Silvana Gomes dos Santos. Segundo ela, a epidemia está aumentanto, mesmo que os órgãos oficiais digam o contrário. ‘‘As mortes diminuíram, mas as contaminações aumentaram’’, afirma.
  O responsável por esse fenômeno seria a sobrevida dos pacientes adultos, que aumentou de 51 meses, em 1995, para 108 meses em 2007, alavancada por medicamentos anti-retrovirais mais potentes, diagnóstico precoce e acompanhamento correto da doença. Na avaliação de Silvana, esse tipo de informação pode reforçar um sentimento de ‘‘falsa tranqüilidade’’. Segundo ela, é comum encontrar hoje pessoas que vão até a associação em busca de medicamentos após terem se exposto a uma relação sexual sem preservativo. ‘‘As pessoas estão banalizando a infecção por HIV’’, observa.
  Soropositivo há mais de 17 anos, Silvana considera necessária a intensificação das campanhas de prevenção, reforçando a necessidade do uso do preservativo e mostrando os pesados efeitos colaterais dos coquetéis de medicamentos. ‘‘As pessoas pensam que é só engolir o comprimido e tudo bem, mas não sabem que são drogas fortí-ssimas’’, diz.

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