Cerca de sete anos de experiência no curso de supletivo para detentos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) não foram suficientes para evitar o afastamento de cinco professores do cargo. Ontem, eles foram informados de que o enxugamento de pessoal, promovido pela Secretaria de Estado de Educação, reduziu a carga horária de aulas da PEL. Como consequência, eles serão remanejados para colégios estaduais da cidade. Nos seus lugares ficarão alguns professores que estão trabalhando na PEL há menos de dois anos.
A professora Nilsa Henriqueta Martins, há seis anos no Núcleo Avançado de Ensino Supletivo (Naes), afirmou que as substituições foram realizadas sem os critérios estabelecidos pela secretaria. De acordo com Nilsa, a resolução 247/2001 determina que, em caso de substituições, sejam observados o tempo de experiência profissional na atividade, a comprovação de capacitação na área de educação de jovens e adultos e conhecimento de informática. ‘‘Esses critérios não foram respeitados’’, afirmou Nilsa, que foi refém de presos na última rebelião de grandes proporções, ocorrida no final do ano passado.
Trabalhando com alfabetização de internos desde que a PEL foi inaugurada, há sete anos, a professora Elvira Duarte de Mello Aranda foi trocada por uma professora com padrão em supervisão. ‘‘A questão extrapola os limites da educação por si só. Estabelecemos vínculos e conquistamos a confiança dos alunos’’, assegurou Elvira. Também com sete anos de experiência, a professora Roni de Lourdes Teixeira disse que o trabalho delas foi desconsiderado. ‘‘Foi jogado no lixo.’’
Segundo a professora Jane Lopes da Silva, há sete anos na PEL, a substituição já era prevista desde que a diretora do supletivo, Maria Aparecida Paulino assumiu, em setembro de 1999. ‘‘Ela nos afirmou que traria uma nova equipe’’, disse Jane. ‘‘Desde então estamos pisando em ovos, sofrendo pressão’’, afirmou. De acordo com as professoras, os cinco substitutos foram indicados pelo deputado estadual Moysés Leônidas (PSB), que seria cunhado da diretora.
Moysés Leônidas confirmou a indicação. ‘‘Foi um critério político sim, mas todos eles, os que vão sair e os que permanecem, são competentes’’. De acordo com o deputado, a culpa é da secretária de Educação, Alcyone Saliba, que empreendeu o corte na carga horária das aulas. ‘‘A secretária é intransigente e arrogante’’, afirmou Leônidas. O deputado garantiu que está tentando reverter o corte de pessoal. ‘‘Não quero que saia ninguém do cargo.’’
Na opinião da diretora do curso de supletivo da PEL, Maria Aparecida Paulino, o adicional de risco de vida, que aumenta em 90% o salário de professor, é a causa da reclamação. ‘‘É um sonho de todo professor ganhar mais e na PEL essa é oportunidade ímpar’’. Critérios técnicos, bom senso e justiça foram considerados pela diretora, na hora de substituir os educadores. ‘‘Acho justo que outros também tenham oportunidade de se beneficiar do adicional’’, disse a diretora. Segundo ela, com o corte de 300 horas-aulas, permanecem na PEL 16 professores.

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