Maringá - Os policiais militares de Maringá ganharam um reforço e tanto para vários tipos de ocorrências. A cadela Beta, da raça Bloodhound, está sendo treinada para farejar pessoas. Ela será usada na captura de um criminoso ou então na localização de pessoas perdidas. Um diferencial para a corporação, uma vez que o único animal especializado é usado hoje em Curitiba.
Apesar do treinamento ainda não ter sido concluído, Beta participou ontem à tarde de uma ocorrência. Após uma dupla roubar um carro, um casal foi feito refém e colocado no porta-malas. Após a abordagem, os assaltantes trocaram tiros com os policiais e esconderam-se na mata de um fundo de vale.
O animal farejou o rastro dos assaltantes e conseguiu encontrar uma bolsa e a chave do carro, que estava com a dupla. Beta só não conseguiu o rastro até o fim porque a fuga, provavelmente, continuou em outro veículo. Para o adestrador da cadela, o soldado Paulo José dos Santos, do 4º Batalhão da PM, eles só conseguiram fugir porque não houve tempo hábil para cercar a mata.
''Se o cerco tivesse sido completo fatalmente ela encontraria os assaltantes no meio da mata'', afirma. A utilização de Beta na ocorrência, acrescenta ele, foi possível por tratar-se de um local onde não há circulação constante de pessoas e diferentes odores impregnados.
O Bloodhound não é um cão de ataque. Quando descobre o alvo, o animal coloca as patas dianteiras no peito da pessoa. Daí para frente, o trabalho é com os policiais. Mas para atingir a perfeição, o treinamento é rígido e diário.
Com 22 cursos de adestramento no currículo, o soldado Santos tem mais de cinco anos de experiência com cachorros policiais. Ele explica que é necessário que o animal tenha uma predisposição para a técnica. É o caso do Bloodhound, que de acordo com o Dicionário Michaelis significa ''cão de caça e de busca.''
O porte físico da raça - com orelhas grandes e olfato aguçado - é ideal para farejar pistas. Segundo o site bloodhounds.com, o cão é originário, ''provavelmente'', da França e Bélgica. O Bloodhound era conhecido muito antes da Era Cristã e bastante apreciado pelos povos mediterrâneos, por causa da habilidade em perseguir os rastros mais difíceis.
Uma parte importante do treinamento é a coleta de odor. No início, são usadas roupas. Depois, com uma gaze esterilizada, o policial recolhe amostra do rastro que o cão farejador deve seguir. E após atingir o alvo, é comum que receba uma recompensa, como um brinquedo ou alimento. Outro cuidado importante é fazer o treino em locais com a menor quantidade de cheiro impregnado possível. Nos ''ensaios'', Beta passou por circuitos de até 6 quilômetros de extensão para encontrar um alvo. Como é um animal dócil, Beta não será usada para outras funções.
A convivência diária entre Santos e Beta começou há um ano. Ele foi o responsável pelo treinamento no início. Hoje, no entanto, são necessários cinco policiais para fazer o adestramento correto. Os outros integrantes da equipe servem de alvo e de figurantes, para ''dificultar'' o trabalho do animal e, principalmente, ter certeza que vai atingir o alvo correto.

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