Cadeirinha é segurança para as crianças
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terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Nesta época do ano, quando os filhos estão em férias e muitas famílias pegam a estrada, vale lembrar da importância do uso de dispositivos de retenção para o transporte de crianças. Na semana passada, o assunto ganhou ênfase após a presidente Dilma Rousseff ter andado de carro com seu neto de 3 anos sem o equipamento de segurança. A presidente se desculpou pela rede social e considerou o fato como um "erro".
Desde que a prática se tornou obrigatória por lei em todo o país, em agosto de 2010, os condutores de crianças com até sete anos e meio, em veículos, devem fazer o uso do acessório sob pena de multa gravíssima (R$ 191,54), com perda de sete pontos na carteira de habilitação e a retenção do veículo até que a irregularidade seja sanada.
O soldado Edson Manoel Mônica, da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), comenta que hoje em dia são poucas as famílias que não cumprem a Lei da Cadeirinha. A 2ª Companhia da PRE atua em 2.428 km da malha viária das regiões Norte e Norte Pioneiro.
"No meu turno de plantão, posso afirmar que as notificações e infrações reduziram em cerca de 90%. Antes da Lei, eu registrava de quatro a cinco ocorrências dessa natureza por dia. Agora, esse número representa uma média mensal", diz.
Ainda de acordo com o policial, é notável a diferença no uso do acessório de segurança. "Me lembro de três acidentes envolvendo crianças em que o uso da cadeirinha foi primordial para a segurança delas, mas também já presenciei situações em que o fato dela (criança) não estar sendo devidamente transportada resultou em óbito", comenta.
Com o reforço nas rodovias pela Operação Natal 2013, o uso das cadeirinhas também está sendo fiscalizado. "É importante frisar que os pais não devem esquecer a cadeirinha. Ela é a segurança das crianças e bebês porque auxilia na altura do uso do cinto de segurança. É indispensável", ressalta.
Redução
Após um ano da entrada em vigor da Lei da Cadeirinha, as mortes no trânsito de crianças de até 10 anos reduziram 23%. Esse é o resultado da "Avaliação Preliminar do Impacto da Lei da Cadeirinha Sobre os Óbitos de Menores de 10 anos de Idade no Brasil", elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgada pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde em 2012.
A pesquisa aponta que de setembro de 2009 a agosto de 2010, o SIM registrou a morte de 296 crianças nessa faixa etária. Entre setembro de 2010 e agosto de 2011, o número caiu para 227.
A Lei da Cadeirinha entrou em vigor pela Resolução nº 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em maio de 2008. Porém, a fiscalização em todo o país começou a valer em agosto de 2010. A resolução obriga o uso de dispositivos de retenção para o transporte de crianças em veículos.
Lição
Crianças até 12 meses devem ser transportadas no bebê conforto, de costas para o motorista. De um a quatro anos, devem usar a cadeirinha voltada para a frente do veículo, e entre quatro e sete anos e meio é preciso utilizar o assento de elevação ou booster, com cinto de três pontos. Para crianças com idade superior a sete anos e meio e igual ou inferior a 10 anos fica obrigatório o cinto de segurança.
Miguel, de seis anos, aprendeu direitinho a lição. "Tem que sentar nesse banquinho e passar o cinto de segurança", diz o garoto, que estava a passeio com os pais Franciele e Rafael Gomes dos Santos. "A gente sabe que, em uma freada brusca ou qualquer outra situação no trânsito, ele estará mais seguro. Acho que com a lei todo mundo está respeitando", comenta o pai.
Um outro casal, que mora em Londres, na Inglaterra, e passa as férias em Londrina, também dá um bom exemplo. "Lá também tem a lei para transporte de crianças e, chegando no Brasil, sabíamos que não seria diferente. Emprestamos a cadeirinha de um parente e estamos fazendo nossos passeios", conta Richard Provedello, com a esposa Fabiane e a pequena Gabriela, de 10 meses. "Acho muito importante, pois é a maneira mais segura para o bebê, sem falar que é muito mais confortável para ela", completa a mãe. (Com Agência Brasil)


