Cadeirantes sofrem com falta de estrutura
Muitas vítimas de arma de fogo têm seus movimentos comprometidos quando o tiro passa pela medula óssea. ''A minha maneira de ver a vida mudou muito'', afirma o jovem André Luis Réquia, de 23 anos, atingido por duas balas em agosto de 2003.
Réquia perdeu todos os movimentos da cintura para baixo, mas o incômodo maior do jovem é perceber que a sociedade não está preparada para receber pessoas com necessidades especiais. ''Aqui no Hospital Universitário (HU) tem uma rampa cheia de ondulações. Gostaria que um engenheiro sentasse em uma cadeira de rodas e andasse por ali'', desafia. No HU, a rampa é o único obstáculo para Réquia, mas na rua a situação é diferente.
Ele conta que uma vez foi comprar um órtice (aparelhos para ajudar nos movimentos) em um clínica especializada e quando precisou ir ao banheiro percebeu que a cadeira não passava pela porta. ''Até mesmo na hora de votar, para poder exigir atitude das autoridades, eu tive problemas'', recorda. Mesmo assim, com a ajuda de amigos, Réquia subiu os degraus para chegar à sala de votação.
O jovem foi atingido por uma bala nas costas em uma suposta troca de tiros com policiais. ''Eu estava saindo para ir a um bar quando minhas amigas disseram que havia gente num terreno ali perto. Eu fui olhar duas vezes; na terceira, quando me virei, fui atingido por uma bala'', recorda. Na época os policiais disseram que houve troca de tiros, mas Réquia, que trabalhava como pintor, afirma que não estava armado.
No época do crime, o comando da PM abriu inquérito administrativo. Segundo informações da PM, o inquérito foi arquivado em janeiro de 2004 na Auditoria Militar de Curitiba. Os três policiais envolvidos no caso foram absolvidos por legítima defesa e estrito cumprimento do dever.
Outra reclamação que não é exclusiva do jovem é a falta de transportes públicos para levar os pacientes para a fisioterapia. ''Sempre que ligo na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito Urbanização) eles me dizem que sou o primeiro da fila. Isso há mais de um ano'', reclama o jovem. Assim como ele, Rodrigo Decioli depende do pai para chegar até a clínica do Unifil.
No total são quatro vans para fazer o serviço, sendo três da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e uma da Francovig. A capacidade é para transportar 11 pessoas. (C.R.)





