Cadeirante não consegue usar ônibus adaptado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de setembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O dito popular de que a ''situação seria cômica se não fosse trágica'' cabe exatamente no constrangimento sofrido pela portadora de deficiência física, Kely Cristina Melo, 25 anos, ontem a tarde no Terminal Urbano de Londrina. Ela teve que esperar duas horas para conseguir voltar para casa mesmo com o ônibus sendo equipado com elevador para facilitar o acesso de cadeirantes. A dificuldade? O controle que aciona o equipamento não estava no veículo.
Desde que passou a fazer uso da cadeira para se locomover, há cerca de três anos, Kely disse que os constrangimentos e desrespeitos são constantes, principalmente para usar o transporte coletivo. ''Sempre preciso do ônibus e sempre tenho problemas'', reclamou. Ontem a tarde não foi diferente. Pouco depois do meio dia, ela saiu da sessão de fisioterapia acompanhada da irmã, Késia Melo, 40 anos, e foi até o Terminal para tomar o ônibus da linha 202 (Roseira) da empresa Francovig. Como só tem ônibus especial para deficientes de hora em hora, as duas aguardaram até que pudessem embarcar.
Na primeira tentativa, por volta de 13 horas, não conseguiram. ''O motorista disse que não tinha o controle (para baixar o elevador) mas nem se importou e falou que era para gente procurar um fiscal. Enquanto eu fazia isso, ele foi embora'', afirmou Késia. Na segunda tentativa, já as 14 horas, a reportagem acompanhou o constrangimento sofrido pelas duas. Novamente, tanto o motorista quanto o cobrador alegaram que nada poderiam fazer porque não tinham como baixar a plataforma para posicionar a cadeira de rodas. Mas desta vez, com a presença da reportagem, o mesmo motorista se prontificou a embarcar ''manualmente'' a passageira. Devidamente acomodadas, as duas puderam voltar para casa duas horas depois de esperarem pelo transporte.
A Associação dos Portadores de Deficiência Física de Londrina (Adefil) informou que as reclamações relacionadas com transporte público são rotineiras. No município, segundo a entidade, existem por volta de 400 cadeirantes mas apenas 130 estão cadastrados para usar as vans que fazem o transporte exclusivo de deficientes. Uma Kombi da Adefil também usada por cadeirantes está fora de uso por falta de combustível.
A assessoria de imprensa da Francovig admitiu que o ônibus da linha 202 circulava desde sexta-feira sem o controle por causa de defeitos tanto no aparelho que estava no veículo quanto no reserva. O problema, segundo a empresa, deverá ser solucionado nos próximos dias. A Francovig garantiu que esta foi a única reclamação de usuário. A Francovig possui 10% da frota (sete ônibus) adaptados para cadeirantes em linhas normais e, em 1998, se tornou a primeira de Londrina a oferecer esse tipo de serviço.
Serviço - O direito de ir e vir está assegurado na Constituição Federal e quem se sentir desrespeitado deve encaminhar denúncia à própria Adefil (0XX43) 3342-6803, à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ou à Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, no Fórum.


