Cadeirante é batizada na capoeira
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2002
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
O grupo de capoeira Farol da Ilha, de Londrina, fez ontem uma festa de batizado de 35 alunos, houve, durante a comemoração, uma apresentação de Maculelê, que utiliza facões na coreografia. O ponto alto da festa foi o batizado de Ana Paula de Andrade, 17 anos, um portadora de necessidades especiais que sonhava em praticar capoeira. Ela é cadeirante, por isso um colega a conduz durante o jogo, a jovem faz os movimentos de braço e ginga com o tronco.
Ana Paula emocionou a todos ao agradecer por ter sido aceita no grupo. ''Eu agradeço a todos por terem me aceitado apesar da minha dificuldade'', disse com o sorriso constante que cativa a todos. Mestre Farinha afirmou que a jovem trouxe muito mais luz ao grupo. Ana Paula foi aplaudida de pé e no seu batizado jogou com todos os mestres convidados.
A jovem contou que sempre teve vontade de fazer capoeira, mas a mãe tinha um certo medo. ''Ela falava que era coisa de menino e também tinha medo que eu me machucasse'', disse. Depois de convencer a mãe, Ana Paula estava radiante ao ter o sonho realizado, ontem ela recebeu a primeira corda, nas cores amarelo e roxo, chamada de incentivo. O próximo passo agora é aprender a tocar berimbau.
Aproveitando o batizado da garota, mestre Farinha lançou o projeto ''Berimbau sem barreiras'', que pretende atender a portadores de necessidade especiais que queiram praticar capoeira. ''Vamos buscar apoio de empresas através da Associação ONGs (Organização não-governamental) de Capoeira de Londrina e região, para que o projeto seja bem-sucedido'', afirmou.
Farinha contou que teve que aprender a trabalhar com Ana Paula, já que ela pode movimentar apenas a parte superior do corpo. ''Um outro aluno movimenta a cadeira e ela faz jogo com os braços. O grande objetivo e trabalhar a auto-estima dela.'' Ana Paula começou a fazer capoeira há três meses.
Ontem também foi o batizado do belga Samuel Leblanc, 17 anos, que está no Brasil há quatro meses através de um intercâmbio do Rotary. Leblanc contou que começou a jogar capoeira há cerca de um mês, ele já tinha visto e ouvido falar de capoeira na Bélgica. ''Lá tem dois grupos, em todo o país, que fazem capoeira. Os dois mestres são brasileiros'', disse. Para o estudante é fácil aprender porque os professores fazem os movimentos bem devagar.


