Érika Pelegrino
de Londrina
No sábado de Carnaval o velho problema da superlotação voltou a rondar os distritos policiais de Londrina. Com a entrada de 12 presos em menos de três dias, o 2º Distrito Policial (DP) passou a ter 72 homens em seis celas, enquanto a capacidade máxima é de 24 presos. Na ala feminina a situação também é crítica: 37 mulheres em sete celas – a capacidade máxima é para 28.
Diante da situação foi encaminhado um comunicado à 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, pedindo para que não fosse encaminhado mais nenhum preso para aquele distrito. O procedimento é comum, segundo a delegada-titular do 2º DP Valdete Testone.
A situação dos outros distritos policiais não é diferente. O 3º DP está com 85 homens; o 4º com 54 e o 5º também com 54. Todos têm capacidade para 24 presos, com exceção do 3º que pode comportar 32. O delegado-chefe da 10ª SDP Wanderci Corral Fernandes afirma que passará a enviar detentos para o 3º e o 4º DPs.
Ele afirma que a situação estava sobre controle até novembro do ano passado, quando o juiz corregedor Roberto do Valle interditou parcialmente (não recebe mais presos) a Prisão Provisória de Londrina (PPL). ‘‘A PPL tinha uma média de 190 a 200 detentos, agora são 131’’, afirmou. ‘‘Vou conversar com o Roberto (juiz-corregedor) para ver a possibilidade de voltar a mandar presos para lá.’’
A PPL foi interditada depois de uma rebelião em novembro do ano passado, segundo Roberto do Valle, por não apresentar condições de segurança para os moradores da região – Jardim Acapulpo, zona sul –, para os funcionários e os próprios detentos.
O juiz-corregedor afirma que fez algumas exigências para que a PPL voltasse a receber presos: compra de quatro extintores (havia apenas um); retirada da caixa de disjuntores do refeitório (em uma briga um preso pode eletrocultar outro); construção de duas celas de trânsito de presos do lado de fora da ala das celas; construção de uma guarita ou portão de grade com controle remoto na entrada; instalação de um portão no corredor lateral que vai da Penitenciária Estadual de Londrina à PPL e a colocação de uma tela com arame farpado (ouriço) no solario.
Roberto do Valle afirma que nos primeiros 60 dias nada foi feito, por isso fixou um prazo de 30 dias a partir de 23 de fevereiro último. Caso as obras não sejam realizadas, ele ameaça pedir a interdição total do local com a remoção dos presos que lá estão agora.
‘‘Até agora ele (o delegado-chefe) não está agilizando nada, foram comprados apenas os 4 extintores’’, reclamou ontem Roberto do Valle. ‘‘Sem as obras necessárias para garantir a segurança nã vou permitir que nenhum preso seja transferido para lá.’’ O juiz-corregedor vai além: ‘‘Para cumprir estas exigências não se gastaria mais de R$ 3 mil. Tenho certeza que tem muita empresa de Londrina que ajudaria doando material de construção para se ver livre de bandidos nas ruas’’, afirmou.

mockup