Cadeias são interditadas por causa de superlotação
Cadeias são interditadas por causa de superlotação Arquivo FolhaEm São José dos Pinhais, pequenas celas comportavam até 15 presos Rubens Burigo Neto De Curitiba Estão interditadas desde anteontem as carceragens das três delegacias da Polícia Civil de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Vivemos uma situação de perigo constante que não poderia mais continuar. Temos um efetivo de dois delegados de carreira, três escrivães e 12 agentes para cuidar de uma população carcerária de 83 presos na cadeia pública central onde a capacidade é para apenas 24 detentos, justificou a juíza da 3º Vara Criminal da cidade, Marcelise Weber, que determinou a interdição. Nas outras duas delegacias da cidade, no bairro Borda do Campo e na Planta São Marcos, estão detidos, respectivamente, 6 e 4 pessoas. A Delegacia de Borda do Campo, contou o delegado Carlos Milano, abriga presos do regime semi-aberto num alojamento nos fundos do prédio doado pela prefeitura da cidade há seis meses. Como nossa cela para detenção ainda não está pronta, decidimos que aqui só ficam os presos que trabalham durante o dia e que voltam à cadeia para dormir, justificou. Na outra delegacia, que funciona num antigo módulo policial da Polícia Militar, estão presas quatro pessoas. Não temos qualquer condição de segurança. Aqui só fica quem quer porque as paredes da cela é de tijolos e cimento, afirmou o delegado Eusébio Pereira da Silva, que está há quatro meses no cargo. Ele contou que neste perído já aconteceu uma tentativa de fuga. A juíza disse que ainda neste final de semana deve definir com o Centro de Observação e Triagem (Coti, departamento ligado à Secretaria de Justiça que funciona no complexo penal do Ahú) a transferência dos presos condenados que estão em São José dos Pinhais para Curitiba. Na cadeia central temos 18 presos condenados, oito deles cumprem regime semi-aberto. Mas eles são os de menor periculosidade. Precisamos definir com a Secretaria de Segurança, que até hoje (ontem) não nos havia respondido, se podemos transferir presos de alta periculosidade que ainda não estão condenados. Marcelise Weber não poupou críticas à maneira como é aplicado o dinheiro gasto na manutenção dos detentos no Paraná. Não entendo como um preso de delegacia pode custar R$ 24,00 por mês ao governo e um interno do sistema penitenciário R$ 800,00.





