Cadeião lotado aguarda remoção de presos
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A decisão do juiz Belchior Soares da Silva, da 6 Vara Cível da Comarca de Maringá, determinando a transferência de 49 presos condenados da cadeia da 9 Subdivisão Policial de Maringá para a nova Penitenciária de Foz do Iguaçu, pode não ser cumprida pelo Estado. Segundo o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) ligado à Secretaria de Segurança do Estado, a transferência não depende só do órgão, mas também de uma autorização do juiz da comarca de Foz do Iguaçu.
O coordenador do Depen, Divonsir Taborda Mafra, afirmou que a prioridade para as vagas ociosas da nova penitenciária em Foz do Iguaçu é para condenados com famílias na região. O cadeião da 9 SDP de Maringá com capacidade para 130 presos está superlotado com mais de 280 pessoas. Deste total, 70 são condenados, mas a decisão do juiz de Maringá recaiu para 49. Mafra informou que ainda não foi intimado da decisão judicial. A partir da intimação, o Estado tem 30 dias para cumprir a ordem, mas na prática não deve ocorrer as transferências.
Segundo o juiz Belchior Soares da Silva, a remoção surgiu de um pedido da promotoria da Vara de Execuções Penais que elaborou um dossiê de 91 páginas argumentando sobre a necessidade de uma transferência urgente como medida de segurança e também pela precariedade do cadeião da 9 SDP.
O comando da 9 SDP evita falar dos problemas envolvendo o cadeião. Desde o início do mês, os presos estão enfrentando um surto de rotavírus. Anteontem, um médico, uma enfermeira e agentes da Vigilância Sanitária visitaram os presos e realizaram consultas. Além de levar remédios, os agentes iniciaram a coleta para exames laboratoriais. O comando chegou a pedir para a chefia da Vigilância Sanitária evitar a divulgação dos fatos temendo a preocupação dos familiares dos presos e também uma negativa ao pedido de transferência dos condenados por causa do surto.
A nova unidade de Foz do Iguaçu tem capacidade para 490 detentos, mas ainda teria cerca de 200 vagas ociosas. Conforme a Secretaria de Segurança do Estado, o secretário José Tavares, está intermediando um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para transferir de Curitiba, 70 condenados, cujas famílias são de Foz do Iguaçu.


