Cadeia é escola de fazer bandido
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR) monitora o tratamento dispensado ao preso em todo o Estado e é categórica: a superlotação nas carceragens das delegacias da capital e Região Metropolitana de Curitiba se repete pelo Interior. Segundo a entidade apurou junto ao próprio Governo, entre os mais de 10 mil presos nas delegacias, cerca de três mil são condenados.
A cadeia hoje é uma escola de fazer bandido e parece que ninguém percebe isso, lamenta a secretária da CDH, Isabel Kugler. Ela cita como exemplo a situação do 9º Distrito Policial, em Curitiba, que tem capacidade para 16 presas mas nunca fica com menos de 60. Só há um chuveiro para todas elas, completa a advogada.
Isabel concorda que nunca foram construídas tantas penitenciárias como nos últimos anos, mas analisa que o aumento populacional das últimas duas décadas refletiu-se também na explosão da população carcerária. Não se prende mais, prende-se de acordo com a proporcionalidade do aumento da população. O problema é que os governos se omitiram em relação aos problemas sociais.
A advogada reforça que não basta só construir cadeias. De nada adianta isso enquanto as autoridades não combaterem, por exemplo, a calamidade que são as drogas. No 9º DP, das 63 mulheres presas (na última segunda-feira) 52 estavam lá por causa de envolvimento com drogas. Muitas delas são esposas, mães, avós, que queriam, na verdade, proteger seus maridos, filhos e netos. (L.A.)





