Cadeia de Rolândia transfere presos
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O problema de superlotação da cadeia pública de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) deve ser temporariamente resolvido com a uma série de transferências e liberações de alvarás de soltura. Na madrugada de anteontem um princípio de rebelião voltou a deixar o clima tenso na delegacia, obrigando a delegada Geanne Aparecida dos Santos a antecipar as medidas. Foi o segundo incidente deste tipo em três semanas. O primeiro aconteceu durante uma recontagem nas celas, após uma fuga de dois presos.
Soldados da Polícia Militar estão sendo acusados de humilhar e espancar oito presos para controlar a revolta. Um relatório elaborado por uma comissão do Centro de Direitos Humanos (CDH) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Londrina foi entregue ontem ao deputado federal Florisvaldo Fier, o Doutor Rosinha (PT), que se comprometeu a encaminhá-lo à Comissão dos Direitos Humanos da Câmara de Deputados. O mesmo documento foi enviado para autoridades estaduais e federais da área de segurança pública. O comando do 15º Batalhão abriu sindicância para apurar o episódio.
Na revolta de quinta-feira, os presos passaram horas sacudindo grades. Algumas janelas foram destruídas. Com 25 vagas, o conjunto de celas abrigava 43 homens antes das transferências. A Folha apurou que até o final do ano serão construídas mais duas celas, totalizando oito novas vagas.
Desta vez, membros do Conselho de Comunidade e da Pastoral Carcerária acompanharam a vistoria da PM e as remoções. Ronaldo Santos Galeano, 24 anos, condenado por furto, foi transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Valdir Nunes Gama, 42 anos, que aguarda julgamento por assalto, foi removido para Sertanópolis. Júnior César dos Santos, 22 anos, também acusado de roubo, já está na cadeia de Bela Vista do Paraíso.
O juiz Alberto José Ludovico determinou ainda a soltura de outros dois presos que cumpriam prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, mais quatro presos serão removidos na segunda-feira. Desta vez, as ações de controle foram feitas de maneira mais civilizada, constata Paulo de Souza, membro da Pastoral Carcerária de Rolândia.


