Uma cidade de ruas e calçadas bem cuidadas. Esta definitivamente não é a realidade de Londrina. A começar pelas ruas, que estão longe de receberem atenção que merecem do poder público. Mas as calçadas são responsabilidade do proprietário do terreno. Andando pela cidade é fácil encontrar calçadas esburacadas, cheias de material de construção, com mato e terra. A reportagem da FOLHA encontrou até casas que invadiam as calçadas ou que simplesmente não deixam passagem para os pedestres. Em algumas situações, o espaço é deixado para o depósito do lixo e os pedestres não têm outra opção a não ser andar pela rua.
Londrina tem a lei municipal numero 10.528, aprovada em 11 de setembro de 2008, que define um padrão que deve ser seguido pelas calçadas. Apesar da legislação ser elogiada pelos arquitetos e engenheiros, ainda falta muita adequação. ''A lei é uma das melhores do país, é bem explicada, boa tecnicamente, é detalhada, mas não é aplicada e nem fiscalizada pelo município'', destacou André Sell, do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) Paraná e vice-presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal).
Ao andar pela cidade, a impressão que se tem é de uma ''colcha de retalhos''. Cada calçada foi feita de uma forma, algumas possuem degraus, outras construídas em pedra e são comuns as quebradas pelas raízes. A ausência do padrão impede a continuidade da faixa tátil, que auxilia os deficientes visuais na locomoção. De acordo com Sell, a calçada deve ser um local seguro, que facilite a caminhada mesmo das pessoas com mobilidade reduzida. ''Falta consciência, as pessoas deveriam buscar informação antes de fazer uma reforma de calçada e procurar um profissional, arquiteto ou engenheiro para que fosse feito adequadamente'', afirmou.
Ele defende uma intervenção mais direta do poder público a fim de garantir espaços em bom estado na cidade. ''Na minha opinião, as pessoas que fossem fazer reforma em seus imóveis deveriam obrigatoriamente fazer a adequação do passeio público de acordo com a lei'', explicou.
Cidadania
Limpeza, adequação e possíveis reparos das calçadas são responsabilidade do proprietário do imóvel em questão. De acordo com Sell, vários detalhes devem ser levados em conta na hora de fazer uma alteração neste espaço. ''Deve-se escolher uma vegetação adequada, sem espinhos e optar por uma árvore cujas raízes não estragam o passeio. A inclinação, o piso, que não deve ser escorregadio, a rampa para entrada dos veículos, tudo deve ser levado em conta para facilitar o trânsito de pedestres'', detalhou.
Para ele, o que falta é cidadania, afinal, a alteração na calçada interfere na vida de todos. ''Hoje, do jeito que está, cada um faz a calçada de acordo com o seu gosto. Uma mudança neste comportamento depende de uma ação mais intensiva da prefeitura. É necessário incentivar e orientar as pessoas'', afirmou.

mockup