Cadáver teve dentes arrancados
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quinta-feira, 17 de abril de 1997
Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoA viúva e filhos: denúncia acusa funcionários da Acesc por violaçãoFuncionários da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Cascavel (Acesc) estão sendo acusados de roubar dois dentes de ouro da boca de um homem, cujo corpo foi preparado na autarquia municipal para sepultamento, anteontem. A Acesc abriu sindicância e começou a tomar depoimentos de funcionários e familiares do operário braçal Rafael Alves de Souza, 55 anos, que morreu de infarto e foi sepultado no cemitério do Jardim Guarujá. A Polícia Civil também está investigando o caso.
Durante o velório, a viúva Maria da Conceição de Souza, 45 anos, observou que havia alteração nos lábios de Rafael e que sua boca estava cheia de algodão. Ao retirar o algodão, notou que faltavam os dois dentes caninos, que haviam sido recobertos com ouro há cerca de 30 anos.
A mulher foi convencida por vizinhos a denunciar o caso. Um amigo da família, Vardeli dos Santos, que acompanhou o traslado do corpo, afirmou que funcionários da Acesc ficaram sozinhos com o corpo para preparação do velório e sepultamento, quando então teriam sido retirados os dentes. Funcionários da autarquia teriam tentado abafar o caso, oferecendo desconto no serviço, de R$ 150,00 para R$ 40,00, segundo Aílton de Souza, filho de Rafael. O superintendente da Acesc, Sérgio Mariotto, disse ontem que a sindicância deverá esclarecer os fatos.
Mariotto garantiu que, havendo comprovação, os responsáveis sofrerão penalidades administrativas. Pela lei, a retirada de dentes de cadáver é tipificada como vilipêndio (violação). O Código Penal estabelece pena de detenção de um a três anos para o crime. O protético Gilberto Luiz de Momi, de Cascavel, explica que uma coroa de ouro implantada em dente para restauração geralmente tem no máximo 3 gramas. Pela cotação de ontem, cada grama de ouro valia R$ 11,90.


