Cadastros estão desatualizados
Vanderlei Negri, encarregado dos Recursos Humanos da Norpave, conta que está com uma vaga em aberto desde março. "Temos três vagas na cota, mas só conseguimos preencher duas. Fizemos publicação em jornal, fomos até algumas entidades, abrimos vagas no Sistema Nacional do Emprego (Sine) mas não tivemos resultado. As outras duas vagas conseguimos preencher com o edital interno", conta.
"Agora estamos recorrendo a agências de emprego. Até tivemos uma pessoa interessada, mas como precisa trabalhar inclusive aos sábados e a creche dos filhos não atende neste dia, ela não pôde aceitar, ou seja, também falta estrutura para possibilitar que essas pessoas trabalhem", destaca.
No Sine, uma das dificuldades é conseguir contatar os potenciais candidatos. "Temos pouco mais de 300 cadastros, mas muitos estão desatualizados", explica a secretária de Trabalho, Emprego e Renda, Kátia Marcos Gomes, informando que foi feito um contato com as instituições que atendem pessoas com deficiência para que ajudem no cadastro.
Em março, 14 empresas disponibilizaram 73 vagas no Sine, que fez 103 encaminhamentos. Destes, apenas oito pessoas com deficiência foram contratadas. Em abril, das 107 vagas abertas por 24 empresas, só 11 foram preenchidas, mesmo tendo sido encaminhados 89 candidatos.
Fiscalização e multa
O chefe de fiscalização do Ministério do Trabalho (MT), Rogério Peres Garcia Junior, explica que, dependendo do caso, a empresa pode receber mais um prazo para se adequar à legislação. "Algumas têm mais dificuldades, mas devem adequar a função, porque existe um número de vagas a serem preenchidas, segundo a quantidade de funcionários e o MT não abre exceções", afirma. Caso seja constatada irregularidades, a empresa pode receber uma multa e ter ajuizada uma ação.
Ele esclarece que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é suspenso quando a pessoa consegue um emprego, mas caso esta fique desempregada, volta a ser pago. "As empresas precisam estar preparadas, as maiores já estão se adequando e a falta de capacitação não pode ser usada como desculpa. De modo geral, esse é um problema que todos enfrentam, não só em relação às vagas da cota", justifica. (E.G.)





