Depois de 16 meses de impasse, e com a iminência de uma ação de despejo da Polícia Militar (PM), pode estar próxima a solução do conflito envolvendo o Jardim Gramado, área na região central de Cascavel ocupada por famílias sem-teto em fevereiro do ano passado. A solução é negociada por comissão da Câmara Municipal que recebeu ontem à tarde de Sílvio Gonçalves, 32 anos, líder dos sem-teto, um cadastro com informações socioeconômicas das famílias. ‘‘Há uma luz no fim do túnel e esperamos resolver o impasse em 10 dias’’, disse o vereador Paulo Beal (PSDB), que integra a comissão. Segundo Beal, a própria PM está disposta a aguardar a conclusão da negociação, antes de agir.
O cadastro aponta serem 295 famílias, bem mais que o estimado pela PM, caracterizando este como o maior conflito fundiário urbano do Oeste paranaense. Uma tentativa de desmanchar barracos erguidos no local, no ano passado, foi frustrada pela reação dos sem-teto que enfrentaram grupo de 40 policiais. Antigos moradores do Gramado têm exigido a reintegração de posse, concedida à empresa dona dos terrenos, a Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, alegando que aumentou a criminalidade e seus imóveis foram desvalorizados.
O cadastro permitirá uma triagem das famílias, pois indica as que se julgam em condições de permanecer no local, pagando pelos terrenos, e as mais pobres, que precisarão ser transferidas para uma área na periferia, já oferecida pela empresa Sulbrasileiro. No primeiro caso estão aproximadamente 40 famílias, que se dispõem a pagar até R$ 10 mil por terreno, em parcelas. As demais podem ir para uma área na região sul da cidade, ainda caracterizada como chácara, e que por isso precisará de infra-estrutura, com abertura de ruas e redes de água e energia elétrica.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB), que era acusado de omissão pelos sem-teto, manifestou disposição de providenciar a infra-estrutura. O sem-teto Sílvio Gonçalves assegura que nenhuma das pessoas cadastradas é dona de imóvel – de outra forma, estariam fora da negociação. O vereador Sebastião Dumond, da comissão da Câmara, disse que a Polícia Civil pediu cópia do cadastro para conferir informação que entre os sem-teto haveria procurados por alguns crimes ou delitos.

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