Cadastro de analfabetos tem baixa procura
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quinta-feira, 10 de junho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Dia Estadual para Cadastramento de Analfabetos, realizado ontem em todo o Estado, passou praticamente desapercebido. A Folha percorreu à tarde 15 escolas estaduais e municipais das zonas Norte, Leste e Sul de Londrina e apenas três estavam com as portas abertas à espera dos interessados. Somente uma pessoa havia se cadastrado até as 16 horas. A baixa procura também foi registrada em outras cidades, como Curitiba e Maringá.
A meta do projeto é ambiciosa: atingir os 650 mil paranaenses analfabetos maiores de 15 anos nos próximos dois anos, 50 mil ainda este ano. O cadastramento dessa parcela da população é uma das exigências do Ministério da Educação para liberar R$ 2 milhões destinados pelo projeto ao Estado. Esses recursos servirão para custear a capacitação e o pagamento dos professores. Cada professor que participar do projeto contará com um salário de R$ 120 mais um adicional de R$ 7 por aluno. O prazo para o cadastramento vai até o próximo dia 15.
A campanha de cadastramento é parte do projeto Brasil Alfabetizado, criado pelo governo federal no início do ano passado. No Paraná, ela foi deflagrada em 17 de maio pelo Comitê Paranaense de Combate ao Analfabetismo. Já a idéia de realizar um dia de mobilização partiu da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Secretaria de Estado da Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação no Paraná (Undime). Mas o esforço para mobilizar a população analfabeta a procurar as escolas para se cadastrarem parece não ter atingido seu público alvo.
Eunice Valença, auxiliar de serviços gerais do Colégio Estadual Doutor Fernando de Barros Pinto, no Conjunto Violin (Zona Norte de Londrina), apontou que apenas uma mulher havia procurado a escola para preencher a ficha cadastral. No Colégio Estadual Ana Molina Garcia, na Vila Ricardo (Zona Leste), a assistente administrativa Rosemeire Reis da Costa recorreu à leitura para passar o tempo. ''Ninguém apareceu. Seria bom se a campanha fosse feita durante a semana, quando tem aula.'' Também no Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, no Parque Ouro Branco (Zona Sul), a procura foi nenhuma até as 16 horas. ''Acho que talvez não tenha sido muito bem divulgado. Foram colados alguns cartazes na escola e na região apenas nesta última semana'', comentou a assistente administrativa Laiza Fatel.
Em Curitiba, o clima frio e chuvoso, o feriado e a fraca divulgação contribuíram para o insucesso da mobilização. A Folha tentou entrar em contato com várias escolas estaduais onde deveria ser feito o cadastramento, mas nenhum chamado foi atendido. Os dirigentes da campanha também não foram encontrados. E os que foram localizados não estavam acompanhando a mobilização.
As assessorias de imprensa da AMP e da Secretaria Estadual de Educação e a chefia do Núcleo Regional de Educação (NRE) foram procuradas pela reportagem, mas os telefones celulares estavam desligados ou fora de área. (Colaborou Vânia Casado)


