Cadastro de alunos provoca polêmica
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quarta-feira, 19 de outubro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O cadastramento de alunos e professores de escolas públicas e particulares de educação básica de todo o País está provocando polêmica, principalmente entre as instituições privadas. O prazo considerado curto, aliado ao alto nível de detalhamento das informações, está provocando reclamações das direções, preocupadas com a dificuldade de cumprir a determinação no tempo estipulado. Até porque os dados de cada um devem ser digitados separadamente.
O Projeto Presença consiste na coleta de informações e tem como meta principal garantir e acompanhar a permanência dos alunos na escola. Outro objetivo é possibilitar, no futuro, a realização do Censo Escolar em tempo real.O sucesso, porém, depende da participação efetiva dos trabalhadores da educação. Então começa o problema. A entrega dos cadastros através da internet termina já em 31 de outubro. Representantes de escolas particulares estão pleiteando a prorrogação do prazo.
Uma reunião de membros da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenepe) seria realizada ontem em Brasília. Eles esperavam receber uma resposta sobre o pedido de adiamento da data limite. O presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Londrina (Sinepe), Marco Antonio de Souza, considera que o prazo ideal seria até a matrícula para o ano letivo de 2006.
''O problema é que o cadastramento pede dados que antes não eram pedidos pelas escolas aos alunos. Mas é uma questão de uma norma baixada que deve ser cumprida. A recomendação por enquanto é que as escolas tentem cumprir o prazo atual'', declarou Souza.
O diretor de estatísticas da educação básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Davi Schimidt, disse que uma decisão sobre o prazo deverá ser divulgada a qualquer momento. Ele explicou que o cadastramento deve ''aprimorar em qualidade e quantidade o censo escolar feito anualmente.'' Os dados colhidos são apenas sobre alunos e professores. As informações sobre os funcionários ficam para o ano que vem.
''O cruzamento de dados vai tornar possível o acompanhamento da frequência escolar a partir do ano que vem, com o intuito de combater a evasão e dar mais agilidade à informação de dados do censo, viabilizando no futuro o censo em tempo real'', salientou Schimidt. A iniciativa também deverá ser integrada ao Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Para a diretora educacional do Colégio Marista, Marize Rufino, a principal dificuldade está realmente sendo a ''questão do prazo.'' A instituição de ensino teve de contratar funcionários em regime temporário para cumprir a determinação no tempo previsto.
''Ninguém encontrou um porquê para o nível de detalhamento tão elevado. Estamos nos organizando para fazer tudo em dia'', comentou. Por dificuldades logísticas com a matriz em São Paulo, o programa do cadastramento foi instalado nos computadores da escola apenas na segunda-feira. ''O ideal seria o adiamento da data. Uns dez dias ajudariam bastante'', acrescentou.
A coordenação do Colégio Máxi garantiu que está com tudo em ordem para entregar os dados no prazo determinado. Funcionários de outros setores foram deslocados para preencher o cadastro de estudantes e professores. Segundo a coordenadora Márcia Guimarães, algumas informações solicitadas são questionáveis. ''São dados muito específicos, como o número da folha no livro do cartório que fez o registro de nascimento. Não sei dizer qual é a utilidade disso'', criticou.
Schimidt, no entanto, argumentou que o cadastro lista cinco tipos diferentes de documentos pessoais e que o preenchimento detalhado de um deles já é suficiente.


