Marcos NegriniIntençãoIsac Ramos, 17 anos, carroceiro: fora da escola há um ano e vontade de aprender mecânicaA Secretaria Estadual de Educação inicia neste sábado campanha para renovar as matrículas de pelo menos duas mil crianças e adolescentes entre sete e 14 anos que estão fora da escola há mais de um ano. A campanha, que será realizada em todo o País durante uma semana, vai instalar 75 postos de cadastramento na região de Maringá, que funcionarão nas 40 escolas estaduais, 37 escolas minicipais, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), centros comunitários e associações esportivas.
Primeiro, o Núcleo Regional de Educação, responsável por 121 escolas de 24 municípios da região Noroeste, vai fazer o levantamento dos nomes dos alunos que estão fora das escolas. Depois, funcionários do Núcleo, da UEM e do Conselho Tutelar vão conversar com os pais dessas crianças e adolescentes para tentar matriculá-los novamente de preferência em escolas próximas às suas residências.
Nessas 121 escolas, existem 70.822 alunos matriculados. Em Maringá, são 36.800. Pelo censo populacional e sócio-econômico do IBGE, 4.245 alunos estão fora da escola há mais de um ano na cidade de Maringá. O Núcleo Regional garante pelo menos duas mil vagas. A coordenadora do núcleo, Rosicler da Rocha, diz que as vagas existem somente nas escolas da periferia: as do centro já estão lotadas. As aulas começam no próximo dia 11.
MotoresO adolescente Isac Ramos, 17 anos, oferece seus serviços de transporte em carroça na praça Raposo Tavares, centro de Maringá. Ele ganha até R$ 300,00 mensais e está fora da escola há um ano. Quando morava no bairro Jardim Universo, de Maringá, completou a 3ª série do 1º grau. Hoje Isac mora em Sarandi (7 km a leste de Maringá).
‘‘Morro de vontade de estudar mecânica. Gosto de motores. Mas não me matriculei porque pensei que não existiam mais vagas. Perto da minha casa tem um Caic. Se tiver vaga, volto correndo pra escola’’, disse Isac.
Em Sarandi, Isac guarda no quintal de casa seus três cavalos: ‘‘Só rodo pela periferia. E com cuidado. Não entro no asfalto’’. Sua mãe, viúva, ganha R$ 200,00 mensais como doméstica. ‘‘Pra piorar as coisas, minha companheira ficou grávida há dois meses. Ela tem 19 anos’’.

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